Yes, nós temos chutney e tostex de banana

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Me emociono a cada cacho de banana que colho aqui em casa. Desde criança acho de um privilégio e de uma riqueza sem fim colher frutas no quintal. Para mim, viver no mesmo espaço que uma árvore frutífera sempre foi o maior indicativo de riqueza de uma pessoa, e até hoje me impressiona. Não consigo achar comum, banal… continua sendo mágico e emocionante. Daí que fico com sorriso de orelha a orelha quando sai cacho nas bananeiras. Já colhi três de banana prata e um de banana ouro e no momento estou com dois de ouro e um de prata em gestação, para serem colhidos daqui há alguns meses…

E a cada cacho colhido, além de me fartar com as frutas doces in natura, ainda aproveito para fazer alguns preparos tendo elas como protagonistas.

Desta vez, eu fiz receitas muito queridas, com história. A primeira, um chutney de banana, inspirado na receita original que ganhei de presente de casamento da querida Valéria, do Le Gite de Indaiatiba em Paraty, onde passamos nossa lua de mel (é um dos antepastos da casa, feito com a produção de bananas local).

A outra, um tostex de banana com queijo, inspirado no sanduÍche da Lanchonete do Lindomar em Alter do Chão, que também serve o X-Piracuí com hambúrguer feito da farinha de piracuí, ingrediente querido que já rendeu outro post aqui no blog.

São duas receitas fáceis de fazer e que exaltam essa queridinha, que apesar de asiática tem toda ginga brazuca, mora em nossos corações e no PF de cada dia, ao lado do arroz com feijão.

Yes, nós temos! Prá dar e vender! 🙂

Chegamos ao Le Gite para passar a lua de mel na madrugada, Olivier e Valeria estavam dormindo, e só viram que éramos nós no café da manhã. Ela, com sua deliciosa prosódia mineira, abriu um sorriso imenso ao saber do casório:

– Bem que eu achei que devia ser casal em lua de mel. Que bom que são vocês!

E em um dos dias da semana que passamos lá, apareceu com um papel anotado com a receita do chutney que adorávamos e sempre pedíamos acompanhado de uma caipirinha, para petiscar na cachoeira antes do almoço…

– Presente de casamento! Disse ela.

Pode parecer bobeira… mas para mim vai sempre ser a primeira receita oficial nossa. Da nossa família. 🙂

Eu nunca mais deixei de fazer! É um coringa, sempre me salva com as visitas de última hora, basta servir polvilhado de canela em pó e qualquer torradinha. Mas se você quer mesmo arrancar suspiros, sirva o danado para acompanhar frango assado ou lombo de porco… ui!

Ingredientes (não foi exatamente assim que a Valéria me ensinou, mas ao longo dos anos fui modificando a danada e acabou virando essa versão aqui.)

– 4 xícaras (chá) de bananas maduras passadas pelo espremedor de batata ou bem amassadinha com um garfo
– 1 xícara (chá) de uva passa sem semente
– 1/2 xícara (chá) de cebola brunoise (cubos mínimos)
– 1/4 xícara (chá) de gengibre brunoise (cubos mínimos)
– 1 xícara (chá) de aceto balsâmico
– 1 xícara (chá) de açúcar mascavo
– 2 colheres (sopa) vinagre de maçã
– 2 cardamomos partidos ao meio
– 1 pedaço de canela em pau
– 8 cravos da índia
– 1/2 colher (chá) de canela em pó
– 1/2 colher (chá) de noz moscada
– 2 colheres (sopa) de pimenta rosa
– 1/2 colher (chá) de pimenta do reino moída na hora
– 1 colher (chá) de sal

Modo de fazer

– Leve todos os ingredientes menos a banana amassada ao fogo baixo até ferverem, formando um molho aromático.

– Acrescente a polpa de  banana, misture bem e deixe apurar mexendo de tempos em tempos para não grudar até o ponto de doce mole.

– Espere esfriar e guarde em um pote esterilizado. Dura 6 meses na geladeira.

– Como já disse, sirva puro como antepasto, polvilhado de canela em pó, ou para acompanhar carnes.

Essa aqui mais fácil impossível. São Tostex é o santo padroeiro de qualquer serumano que vá morar sozinho. Todo mundo sabe (ou logo aprende) a manejar um. E com um bocadinho de criatividade pode ir muito além do misto quente, como nessa versão aqui de banana com queijo.

Aliás, falando em ir além do misto quente, na primeira festa Mixto Quente lá na Casadalapa, que a Marina faz parte, eu servi um tostex de pão integral com o chutney de bananas aí da receita e queijo coalho ralado, muito parecido com esse preparo aqui e que você pode reproduzir na sua casa.

Mas bora parar de falar e passar logo a receita!

Ingredientes – 2 sandubas
– 4 fatias de pão integral
– 4 bananas prata ou nanica beeeeem maduras em rodelas
– (+ ou -) 1 xícara de queijo minas ralado

Modo de fazer
– Monte o sanduba como na foto, banana por baixo e queijo por cima e leve ao fogo no tostex.

– O único segredo para fazer tostex é fogo bem baixo, quanto mais lerdo melhor, do contrário vai queimar o pão sem derreter o queijo. Mas essa é uma manha que se adquire com o tempo! 🙂

E para quem quer um toque especial, acrescente umas lâminas de pimenta dedo de moça ou prá quem quer enfiar o pé na jaca, além da pimenta cubinhos crocantes de bacon… fica o melhor tostex ever!

Bom apetite!

Ah, já ia me esquecendo. A banana prata para ser comida cozida precisa estar bem madura, do contrário sua cica “pega” na boca. Para comer pode até estar ok, mas para cozinhar precisa estar bem madura. E bem madura significa estar com pontos pretos na casca, rachaduras, enfim, em um ponto que a gente acha que já passou, mas é o perfeito.

Assim, tanto uma como a outra receita faça sempre com bananas neste ponto, de preferência com aquelas que estão marcando na fruteira e iriam para o lixo.

Cozinheira e pesquisadora da comida brasileira

Cozinheira mineira-goiana radicada no planalto central, Letícia Massula divide seu tempo entre o fogão e o Cerrado, de onde coleta ingredientes e inspiração para suas receitas. Desde a década de 70, esquenta a barriga no fogão. É especializada em estilismo culinário e carnes e tem como foco de estudo e pesquisa a comida brasileira e, em especial, os ingredientes e hábitos alimentares brasileiros. Estreou a primeira produção nacional para a BBC HD, o programa Brazil Cookbook, sobre comida brasileira, que estreou no ano da Copa do Mundo e foi transmitido para toda a América Latina, do Chile ao México. O que rendeu uma boa pesquisa sobre comida brasileira. Desde 2013, empreendeu um projeto pessoal de viagens de pesquisa pelos diversos biomas brasileiros. Dessas viagens, inúmeros caderninhos de anotação foram se juntando e acabaram dando forma a textos que publica em seu site pessoal, a Cozinha da Matilde.

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