Viagem de carro pela Andaluzia + Évora

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Muita história, lindas paisagens, cidades para lá de charmosas, bons vinhos e comida, tudo isso a preços razoáveis em termos europeus. Essa é a Andaluzia, sonho antigo que se tornou realidade no início do ano. Fomos para Madri, onde ficamos cinco dias, e depois seguimos (dois casais e um garoto de 11 anos) de carro por Sevilla, Córdoba, Granada, Pueblos Blancos, Málaga, Ronda e Cádiz, dando uma esticadinha até a portuguesa Évora, de onde seguiríamos para Lisboa apenas para o voo de volta ao Brasil.

Sem qualquer planejamento gastronômico para a Andaluzia, simplesmente esbarramos ou encontramos na internet algumas preciosidades. Confesso que o convite para escrever sobre elas no Gastronomix me deixou inseguro, pois adoro a boa mesa, mas nunca havia escrito nada sobre experiências gastronômicas. Decidi tentar e acabei separando quatro cantinhos em Madri, Granada, Cádiz e Évora. Cada um a seu jeito (caro ou barato, mais ou menos sofisticado, com algum renome ou não), são quatro restaurantes que valem à pena conhecer.

MADRI
Em Madri, do lado do apartamento que alugamos, descobrimos um pequeno tesouro, praticamente sem querer. O Terra Mundi é um lugar simples e lotado. De espanhóis. Em viagens, sempre valorizo restaurantes lotados de locais, quase sempre sinal de boa comida. O slogan é “come de carta, paga de menú”. Por apenas 14,50 euros (uma bebida incluída), descobrimos verdadeiras maravilhas.

De entrada, croquetas caseiras de cocido galego completo, espécie de croquete local que deixa os nossos no chinelo. Frito por fora, cremoso por dentro, conquistou paladares. No prato principal, a especialidade da casa: pulpo da pedra a la parrila com sus cachelos. Apaixonado por polvo, nunca havia comido um tão perfeito: cozido na medida certa, com tempero leve, mas muito saboroso. Tudo tão bom que mesmo estando quatro dias na cidade, voltamos mais uma vez ao Terra Mundi (para comer o mesmo polvo, claro).

Terra Mundi
Calle Lope de Vega, 32
Telefone: + 34 914 29 63 80
Site: http://terramundi.net/

GRANADA
Granada é uma daquelas joias do mundo. A cidade foi a capital dos reinos mulçumanos entre os séculos 11 e 15. Foi a última cidade sob o domínio árabe a cair diante da ofensiva dos reis católicos, em 1492. A herança mulçumana está por toda parte, do bairro Albaicín, com seus restaurantes marroquinos e casas de chá, à maravilhosa Alhambra, fortaleza mulçumana encravada no alto do morro que vale cada minuto de sua visita guiada de quase 4 horas.

E o critério para escolher o restaurante do último jantar em Granada não poderia ser outro: comer em algum lugar em que fosse possível admirar a fortaleza, que iluminada lá do alto parece vigiar a lindíssima cidade. Foi assim que caímos no Ruta del Azafran, um moderno restaurante na Carrera Del Darro, a rua beira-rio mais charmosa da Espanha. O cardápio (preços razoáveis) é uma mistura de pratos árabes tradicionais e pratos contemporâneos, incluindo boas carnes. Mas o destaque da noite foi a Harira, uma sopa tradicional marroquina que é uma explosão de sabores. À base de grão de bico, lentilha e tomates, leva cebola, alho, açafrão, pimenta síria, gengibre, cominho e piri-piri, é uma verdadeira iguaria. Está no cardápio como entrada, mas de tão bem servida virou um dos pratos principais.

Ruta del Azafran
Paseo del Padre Manjón, 1
Telefone: +34 958 22 68 82
Site: rutadelazafran.com

CÁDIZ
A portuária Cádiz, fundada pelos fenícios em 1.100 aC, foi nossa última parada na Espanha. Já tinha ouvido falar nos restaurantes de frutos do mar, mas nenhum em específico. Seguimos então a indicação de uma jornalista inglesa que achamos na internet e fomos parar no El Faro de Cádiz, um tradicional restaurante da cidade com quase 60 anos de história, escrita no rosto dos garçons e garçonetes que parecem trabalhar ali desde sempre (aliás, a casa tem ótimo atendimento).

Seguindo a sugestão do maître, experimentamos dois pratos típicos da região, o arroz con carabineros (espécie de paella de camarões, mas de sabor mais suave) e o arroz caldoso de pescado y marisco al estilo de Cádiz, um risoto que como o nome diz vem com bastante caldo, sem chegar a ser um ensopado. Duas delícias, bem diferentes de tudo que havíamos experimentado na viagem. A conta deu em torno de 25/30 euros por adulto (vinho e o famoso Jerez incluídos).

Outra dica imperdível de Cádiz é o Mercado Central da cidade. Em meio a inúmeras barracas de peixes e temperos, há uma interessante cervejaria artesanal (provem a IPA, é excelente) e pequenas lojinhas que vendem fatias dos mais variados (e deliciosos!) queijos e embutidos, tudo por quilo. Acompanhado de um tradicional vermute com gelo e laranja, é uma ótima pedida para parar e curtir um pouco do vai-e-vem dos espanhóis comprando toda a sorte de criaturas do mar.

El Faro de Cádiz
Calle San Félix, 15
Telefone: +34 956 21 10 68
Site: elfarodecadiz.com

Mercado Central de Cádiz
Plaza de la Libertad, 11005
Telefone: +34 956 21 41 91

ÉVORA
A caminho de Lisboa, onde pegaríamos o voo de volta para o Brasil, passamos um dia em Évora, a capital do Alentejo. Tempo suficiente para conhecer o Fialho, um septuagenário e aconchegante restaurante alentejano apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ex-premier britânico Tony Blair como o melhor restaurante de Portugal. Se é ou não eu não sei, mas tem tudo para ser.

O cardápio é bastante variado, mas a primeira refeição em Portugal não poderia fugir ao bacalhau. O bolinho de entrada era dos deuses, assim como os queijos. No prato principal, a escolha foi pelo carro-chefe do cardápio, um “simples” bacalhau na brasa com batatas ao murro, acompanhado de um bom vinho alentejano. Para comer outro tão bom assim terei que voltar ao Fialho. Para completar a noite portuguesa, uma iguaria para ficar na memória: ovos moles ferrados do Convento de Santa Cruz. Maçaricado como um créme brûlée, a sobremesa é de dar água na boca até hoje. Mesmo com entrada, prato principal e sobremesa, a conta deu em torno de 35 euros por pessoa.

Se tiver mais uma noite em Évora, não deixe de ir à Enoteca da Cartuxa (ao lado do Templo de Diana e da Catedral, que ficam lindas iluminadas). Em ambiente bastante descontraído e de excelente serviço, a dica é harmonizar os bons vinhos da famosa vinícola portuguesa com entradinhas para lá de interessantes, como o escabeche de pato com especiarias e farofa de amêndoa, o requeijão de ovelha com azeite e alecrim e os cogumelos gratinados com queijo de ovelha e hortelã.

Fialho
Travessa Mascarenhas, 16
Telefone: + 351 266 703 079
Site: restaurantefialho.pt

Enoteca da Cartuxa
Rua Vasco da Gama nº15

Telefone: +351 266 748 348

MARCELO TOKARSKI é jornalista de formação e há seis anos dirige o Instituto FSB Pesquisa. Antes de tudo, é um apaixonado por viajar, o que sempre envolve, claro, experimentar e viver a culinária dos lugares por onde passa.

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

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