Satori, o templo da boa comida no Bairro da Liberdade

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O Satori é um dos meus restaurantes preferidos de todos os tempos. Fica no primeiro andar de um prédio na Liberdade, em São Paulo, e você precisa fazer um cadastro na portaria antes de subir as escadas que dão acesso ao lugar. Da primeira vez que o visitei, tive a impressão de estar me infiltrando num braço brasileiro da Yakuza. Antes de ganhar a porta do restaurante, ao sentir o cheiro do arroz integral cozido ali, percebi que estava no templo da comida saudável de São Paulo.

No Satori, há diariamente um cardápio fixo servido em mesas compartilhadas que custa de R$ 18 a R$ 30. Vem com uma cumbuca de sopa, um prato de legumes e vegetais e uma cumbuca de arroz integral cateto papa, que tem textura gelatinosa – a grande estrela do lugar, e que segundo o criador do restaurante, Tomio Kikuchi, de 92 anos, é o alimento mais curativo de todos.

No cômodo anterior ao salão de almoço, há uma lojinha com o arroz plantado em fazendas ecológicas, sementes, raízes, biscoitos (de arroz integral), óleos naturais, umeboshis, doces de maçã sem açúcar, a pasta de soja caseira, e o shoyu feito pelo próprio Kikuchi – o chef Tsuyoshi Murakami, do restaurante Kinoshita, já me disse ser fã de carteirinha do produto; não só dele, mas de toda a filosofia em torno do Satori.

Na lojinha também estão alguns dos livros escritos pelo “professor” Kikuchi, como todos o chamam. Ele tem mais e 60 obras; são sobre alimentação macrobiótica, que ele introduziu no Brasil; dicionários de produtos curativos para os mais diversos males; além de livros biográficas em que ele conta, por exemplo, das batalhas que lutou no Japão, durante a Segunda Guerra, e de sua chegada ao Bairro da Liberdade, em 1955.

Conheci professor Kikuchi em 2008, na ocasião em que era repórter de gastronomia do jornal Gazeta Mercantil. Ele tem um consultório numa salinha, no mesmo andar do restaurante, e trata seus pacientes por meio da comida, como não poderia deixar de ser. Gilberto Gil é o seu paciente mais famoso. Diz-se que Kikuchi já o curou de um câncer.
Sugiro que se faça a experiência completa “Kikuchi”… almoce, passe pela consulta do mestre e não deixe de levar para casa o shoyu caseiro, além do livro “Autocontrole-terapia”, que é sobre comida para se comer ou para se fazer emplastros. É a obra máxima do professor.

SATORI
Praça Carlos Gomes, 60
Liberdade – São Paulo
De segunda a sábado, das 11h30 às 14h30
Telefone: (11) 3242-9738

* ALEXANDRE STAUT é escritor, autor do livro Paris-Brest – Memórias de viagem e receitas deliciosas de um brasileiro pelas cozinhas da França.

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

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