Sabores de Gabriela, decepção com velho amor

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Como lidar com um velho amor que, depois de muitos anos, reaparece de repente? E que, apesar de manter sua essência, hoje está diferente e já não faz mais seus olhos brilharem? Senti-me exatamente vivendo esse dilema ao ir pela primeira vez ao recém-inaugurado Sabores de Gabriela, casa dedicada à culinária baiana aberta em meio ao burburinho da rua Maria Angélica, no Jardim Botânico.

O Sabores de Gabriela me fez lembrar um velho amor por ser uma reencarnação do tradicional Siri Mole & Cia, restaurante que marcou época no cenário gastronômico de Copacabana e, para decepção de muitos de seus admiradores (e eu me incluo nesse grupo), fechou as portas em 2015. Além de ser uma das poucas casas a oferecer comida baiana de qualidade no Rio, o Siri Mole & Cia era agradável, tinha excelente serviço e funcionava como um lugar perfeito para se levar amigos de fora interessados em conhecer uma cozinha tipicamente brasileira.

Faço um parêntesis aqui para propor ao leitor uma reflexão sobre o que nos leva a considerar um restaurante excelente e merecedor de nossa recomendação. A qualidade da comida é, com certeza, o fator principal. Mas estou cada vez mais convencido que outros quesitos acabam tendo muita influência na formação de nossa opinião. A decoração, o conforto, o nível de ruído, e a oferta de vinhos e drinques, entre outros pontos, são critérios que pessoalmente levo muito em consideração hoje em dia no momento de escolher onde comer.

Por isso, o Sabores de Gabriela acabou sendo uma certa decepção para mim. A qualidade da comida está lá, intacta. A entrada de mini-acarajés é exatamente como eu recordava: é deliciosa e dá para ser compartilhada por três pessoas. A moqueca de camarão também estava excelente, digna dos melhores momentos do Siri Mole & Cia. A caipivodka de seriguela foi outro ponto alto do almoço.

Mas o serviço, meus amigos, foi um desastre completo. Confuso e displicente, apesar da clara boa vontade da brigada. Passamos o almoço inteiro preocupados se nossos pedidos haviam sido feitos, o que nos obrigava a ter que rechecar com os diversos garçons que nos atenderam se a comida realmente viria. Uma total “bateção de cabeças”.

Confesso que isso tirou muito do prazer de nosso almoço. Conhecer o Sabores de Gabriela foi enfim como reencontrar um velho amor e perceber que nada mais seria como antes.

AVALIAÇÃO:
Comida: 8/10
Ambiente: 7/10
Serviço: 4/10
Preços: Caros

Dica extra: A Rua Maria Angélica se transformou nos últimos anos num verdadeiro point gastronômico. Além do melhor chinês do Brasil, o Mr. Lam (já resenhado nesta coluna), há ali pizzaria (as excelentes Braz e Capricciosa), cevicheria, locais com pegada mais leve, boteco pé-sujo, hamburgueria e francês (na vizinhança imediata) e até um tradicional português. O restaurante top do chef Claude Troisgros, o Olympe, também fica ali pertinho.

Jornalista, carioca e tricolor

Jornalista, carioca e tricolor. Gasta certamente mais do que deveria em restaurantes e vinhos e hoje em dia só viaja para conhecer novos pratos e sabores. Considera-se um gourmet "clínica-geral": frequenta botecos de má fama do Centro do Rio com a mesma paixão que sente ao entrar num três estrelas Michelin. Apesar disso, não consegue esconder uma mal disfarçada predileção por lugares clássicos, com história, pátina e estrada. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou em algumas das principais redações do País, como Gazeta Mercantil, O Estado de S.Paulo e O Globo. Além do Rio, já morou em São Paulo, Buenos Aires (onde foi correspondente do Globo) e Brasília. Hoje é sócio-diretor da FSB Comunicação, a maior empresa de Comunicação Corporativa do Brasil.

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