Quem foram Brás, Gomes de Sá e Zé do Pipo

Baclhau a Bras

Calcula-se que 87% do bacalhau consumido no Brasil são pescados no Mar da Noruega. Mas, sabemos, de Portugal vêm as mais deliciosas e famosas receitas feitas com esse ingrediente. Isso porque foram os lusos que tiveram a ideia de introduzir o peixe salgado e seco na alimentação.

Agora, o curioso é que os nomes das receitas, pelo menos as mais tradicionais, têm nome de homens: Zé do Pipo, Gomes de Sá e Brás. Pois, bem: nosso Almanhac se encarrega de dizer quem é cada um deles no jogo do bicho:

Bacalhau a Zé do Pipo

O bacalhau a Zé do Pipo assim se chama porque esse era o apelido de José Valentim, dono de um restaurante no Porto, que criou o preparo — no qual o bacalhau é misturado a cebola, purê de batata e maionese, cozido e gratinado.

Zé do Pipo apresentou a receita pela primeira vez nos anos 1940, durante um concurso chamado A Melhor Refeição pelo Menor Preço, no qual venceu o primeiro lugar. De lá para cá, o bacalhau a Zé do Pipo foi sendo reproduzido e virou clássico.

Bacalhau a Gomes de Sá

Também foi no Porto que surgiu o bacalhau a Gomes de Sá. José Luís Gomes de Sá era cozinheiro no restaurante O Lisbonense em fins do século 19, quando decidiu inovar, deixando as lascas de bacalhau marinarem em leite morno para ficarem mais macias.

Depois, levou-as ao forno com azeite, batatas, alho, cebola e, na hora de servir, acrescentou azeitonas pretas, salsa e ovo cozido. Gomes de Sá morreu em 1926, aos 75 anos, mas sua receita ficou e tornou-se obrigatória nos restaurantes da típica cozinha portuguesa.

Por fim, o bacalhau à Brás (foto no destaque do post) também leva o nome de seu criador, um taberneiro do Bairro Alto, em Lisboa. Apesar da receita ter ganhado imensa popularidade, pouco se sabe sobre o tal Brás, nem mesmo a época aproximada em que teria lançado tal moda. Virou lenda.

Mas a receita é assim: junta-se o bacalhau desfiado a batata frita cortada finamente (e não à batata palha, como fazem alguns hoje em dia); depois, adicionam-se rodelas finas de cebola e ovos batidos. Há quem acrescente também salsa picada e azeitonas na hora de servir.

Fontes: Clube dos Vinhos Portugueses, Mais Guimarães, O Mundo do Bacalhau. Fotos: Teleculinaria.pt

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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