Precisamos falar sobre a erva-mate

ervamate

Preciso confessar que até bem pouco tempo não dava muita atenção à nossa Erva-Mate. Todo o meu conhecimento limitava-se ao seu nome científico, que descobri na adolescência, por causa de uma música dos Engenheiros do Hawaii (alguém aí já cantou Ileeeeex Paraguarieeeeeensis?).

Pois recentemente tudo mudou. A folhinha que, para mim, era base de chimarrão ou tereré, se mostrou profunda e versátil.

Tudo começou quando visitei, no Caminho de Pedras, em Bento Gonçalves, uma pequena fábrica de Erva-Mate, instalada em um casarão antigo, a Casa da Erva-Mate Ferrari.

Logo depois, provei um blend da Moncloa, em que o Mate, misturado a outras ervas e frutas, mostrou seu potencial. Em seguida, influenciada pela gaúcha Carla Saueressig, conheci a Matequero, linhas da empresa Inovamate, do Rio Grande do Sul, que explora a Erva-Mate em forma de chá. Também assisti a um documentário da empresa Baldo, do qual participou Yuri Hayashi, que me mostrou a importância histórica da Erva no nosso país. Na viagem para a China, a Erva foi minha escolha para presentear os nossos anfitriões.

Instigada por Ana Delai e sua família, “chimarrentos” de primeira, fui conhecer melhor o trabalho desenvolvido por Rogério Rabbit, um premiado mixologista brasileiro que, com abordagem indigenista, aplica a planta em blends e drinks; divulgada por ele em seu formato e nomenclatura originais – Ka’a, a árvore sagrada dos guaranis -, conquista paladares mundo afora e conta sua verdadeira história milenar.

Em Nova Iorque, dei de cara com um bar todo dedicado a ela, com pegada moderninha, em blends e alimentos, o Porteñas. Na cidade, em outros cafés e lojas de chás, percebi seu apelo de “produto da vez”, com direito a lugar de destaque nos cardápios.

Mas foi na Caravana do Mate que a Ilex me arrebatou. Conduzida por Ariana Maia e Carla Saueressig (aka @inovamate e @alojadocha), descobri, no interior do Rio Grande do Sul, nas belas cidades de Ilópolis, Arvorezinha e Anta Gorda um mundo: de cultura, de luta, de possibilidades, de sabor.

Em três dias, nos aproximamos da história da Erva-Mate, que vem lá de tribos indígenas. Aprendemos sobre seu processamento, artesanal e industrial, visualizando cada detalhe, em um parque todo dedicado a ela, com estações em que você vê o funcionamento de cada etapa.

Vimos gerações envolvidas em seu cultivo em suas propriedades, cidades orgulhosas por poderem nos mostrar suas nuances. Provamos da Erva-Mate de todas as formas que se pode imaginar: em cerâmica, sagu, bolo, cuca, rosca, pudim, pão, geleia, mel, azeite, macarrão, massa de pizza, farofa, suco, infusão e, claro, chimarrão (afinal, estávamos no Rio Grande do Sul, né?). Bebemos Erva-Mate e conhecimento direto fonte, para nunca mais esquecer que ela é parte de nós.

Em três dias, senti um orgulho imenso em ver que há muito gente se dedicando à nossa Erva-Mate, ao nosso “chá” (eu sei que é infusão, mas você me entendeu). Espantei-me ao conhecer pesquisas tão aprofundadas acerca da planta, em todos os seus aspectos, históricos, químicos, sensoriais e comerciais. Percebi semelhança nos processamentos da Camellia e do Mate. Culpei-me por, até então, não ter dado a devida atenção que a Ilex merecia.

Então não dê bobeira; Carla e Ariana organizam, duas vezes por ano, em maio e setembro, essa Caravana, muito bem programada, para mostrar a quem queira ver o que é que essa Erva tem. Programe-se desde já para essa oportunidade de viagem, que valeu cada minuto, pelo aprendizado, pela vivência, pelas melhores companhias!

E é por isso que, hoje, estou aqui. Para tentar lhe mostrar como é rica essa história, a nossa história. Para lhe falar das possibilidades maravilhosas que uma só planta pode oferecer. Para dizer que o chimarrão é mesmo uma beleza, mas há tantas outras coisas feitas com a Erva-Mate por aí que… Só vivendo o que vivi para entender!

Como sou legal demais, já deixo o contato das duas, para você já reservar a sua vaga. Elas mandam a programação todinha para você já começar a sonhar com dias inesquecíveis: Carla – 11984152918; Ariana – 51999743604.

E aí, se animou a dar uma chance à nossa Erva-Mate?

Que tal me acompanhar também pelo Instagram ou Facebook? Lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face). Nos vemos lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta!

Beijos verdinhos de Mate! 💚

Especialista em chás

Se tiver chá, lá ela estará! Apaixonada pelo mundo dos chás e tudo o que com ele se relaciona, de porcelana a livros, de lugares a receitas, de comidinhas a experiências. Acredita que a xícara perfeita é capaz de criar momentos mágicos; a eles se entrega com toda a sua verdade... E eterna curiosidade! Especialista em chás e tea blender por paixão, servidora pública por profissão. Em Brasília/DF.

3 Comentários

  1. Querida Eloína,

    Ainda precisa vir para o Paraná. Conhecer o “melhor e maior” produtor de erva mate do mundo!

  2. Foi um passeio e tanto, muito rico em conhecimento!


  3. Muito obrigada Eloína!
    Muito orgulho de fazer parte deste projeto que valoriza a agrofloresta e os pequenos produtores – os colonos.
    Erva- mate nativa e preservar nossas florestas.
    Vamos em frente!

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