Por que os uruguaios comem tanta carne?

uruguai

Realmente, nossos vizinhos são loucos por carne — assim como os argentinos e nós brasileiros. E o culpado de tudo isso é um paraguaio, um certo Hernando Arias de Saavedra, mais conhecido por Hernadarias.

A cozinha uruguaia é formada por influências espanholas e italianas, principalmente, mas, quando se fala em culinária daquele país, a primeira coisa que nos vem à mente são a parrilla e os cortes bovinos assados.

Militar, conquistador, colonizador e explorador, foi Hernadarias que teve a ideia de ocupar a então chamada Banda Oriental com vacas, no século 17. Até ali, o império espanhol pouco interesse tinha naquela área, desprovida de metais preciosos.

O paraguaio acreditou que podia transformar a região num imenso pasto. Em 1611, levou as primeiras reses. Em 1617, chegou outro rebanho mais significativo, com 100 vacas e alguns touros. Em 1634, a população bovina cresceu mais ainda, com a chegada de 5 mil cabeças de gado. É muita carne, né?

E os índios charrúas, que habitavam a Banda Oriental desde antes da chegada dos espanhóis, passaram a conviver com vacas e bois. Os homens brancos só iam lá, a partir da Argentina, para fazer rodeios e matar reses para tirar o couro. A carne era descartada. Olha só que desperdício!

Aí, em torno dessa criação, surgiram os gaúchos, que cruzavam a região a cavalo e descobriram que uma “ternera” (rês com menos de um ano de vida) assada não era nada mau. Pronto, se estabeleceu a partir dali o hábito de comer carne. Não só no território que hoje é Uruguai, mas em todo o bioma pampa, que inclui pedaços da Argentina e do Brasil.

CURIOSIDADE
Os uruguaios comeram 98 quilos de carne por cabeça em 2012, mais do que o dobro da média mundial, mas não alcançaram os argentinos que se mantêm, com 103 quilos por ano, como os campeões mundiais.

No entanto, se só se levar em conta o consumo de carne bovina, os uruguaios ficam com o primeiro lugar mundial com 60 quilos por pessoa ao ano, frente aos 55 quilos dos argentinos, muito acima dos 37 quilos dos brasileiros e dos 21,7 dos chilenos, de acordo a dados do Instituto Nacional de Carnes (INAC).

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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