Oteque, um amor que se renova

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Na última coluna, comparei uma experiência ruim num restaurante à decepção de reencontrar um velho amor e perceber que já não sente mais nada por ele. Desta vez, prezado leitor, meu coração está mais leve. Por isso, escolhi falar de um novo amor.

Quem acompanha a coluna deve lembrar-se que, há alguns meses, escrevi sobre o Oteque, casa comandada pelo chef Alberto Landgraf. E, relendo agora o texto, vejo que não consegui esconder meu entusiasmo pelo restaurante, aberto há pouco mais de um ano.

Voltei ao Oteque esta semana e trago uma boa notícia: de lá para cá, a casa só melhorou. Sente-se em Landgraf um chef maduro, com domínio dos ingredientes e criatividade para nos brindar a cada dia com um menu degustação diferente, com forte predominância de frutos do mar.

Nesta última visita, o chef nos deliciou com pratos memoráveis. Para começar, um cherne com vinagrete de alga e pinole, que complementei com uma porção extra de caviar giavieri osietra (cobrada à parte). O frescor do peixe cru combinou perfeitamente com o toque ácido do vinagrete e as notas terrosas do pinole.

Em seguida, apenas para falar dos pratos que mais gostei do menu de oito etapas, uma ostra morna com suco de pupunha, o olho de cão com creme de anchova e o já clássico lagostim com maionese de peixe e maçã verde, o melhor da noite.

Com serviço extremamente eficiente e cordial e um lindo salão que valorizou o interior do casarão dos anos 30, o Oteque se consolidou como um dos melhores restaurantes do país. E nosso amor continua cada vez mais forte.

AVALIAÇÃO
Comida: 9/10
Ambiente: 10/10
Serviço: 10/10
Carta de vinhos: Interessante, ainda que um pouco cara.
Preços: Caros

Dica extra: Outro destaque da noite foi o vinho. O Pouilly-Fuissé Domaine Valette 2009 é, com certeza, um dos melhores brancos que tomei nos últimos anos. Redondo e vivaz, foi um lindo companheiro para nossa noite

OTEQUE
Rua Conde de Irajá 581
Botafogo – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3486.5758

Jornalista, carioca e tricolor

Jornalista, carioca e tricolor. Gasta certamente mais do que deveria em restaurantes e vinhos e hoje em dia só viaja para conhecer novos pratos e sabores. Considera-se um gourmet "clínica-geral": frequenta botecos de má fama do Centro do Rio com a mesma paixão que sente ao entrar num três estrelas Michelin. Apesar disso, não consegue esconder uma mal disfarçada predileção por lugares clássicos, com história, pátina e estrada. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou em algumas das principais redações do País, como Gazeta Mercantil, O Estado de S.Paulo e O Globo. Além do Rio, já morou em São Paulo, Buenos Aires (onde foi correspondente do Globo) e Brasília. Hoje é sócio-diretor da FSB Comunicação, a maior empresa de Comunicação Corporativa do Brasil.

2 Comentários

  1. Cada vez melhor as cronicas gastronômicas do Flavio
    Nota 10 e continue assim

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