Mosteiro, porto seguro sem invencionices

mosteiro

Há um Rio que se recusa a morrer. São resquícios de tempos melhores, talvez mais gentis. Definitivamente mais civilizados, herança de décadas de tradições fundadoras desta cidade.

Na gastronomia, em meio à azáfama do Centro, há casas que preservam esse estilo e são uma recordação viva de um passado pranteado por muitos. Elas resistem como velhos galeões em meio à tempestade.

São várias. Algumas já mencionadas nesta coluna, outras ainda a merecer uma homenagem. Todas mantém admirável dignidade, mesmo nestes tempos de incerteza e desconexão.

Uma delas é, sem dúvida, o Mosteiro, casa do velho José Temporão, pai de nosso ex-ministro da Saúde. Desde 1964, a casa nos brinda com um menu diretamente influenciado pela cozinha portuguesa com toques cariocas. Fusion à moda antiga, eu diria.

Para começar a refeição, não deixe de provar os bolinhos de bacalhau e principalmente as empadas. A de camarão é a minha favorita, com seu recheio abundante e cremoso. Em seguida, aventure-se com segurança em alguma especialidade portuguesa, como o arroz de pato ou de polvo ou um bacalhau à lagareiro ou à Braz. Por fim, doces típicos da terrinha são boa pedida.

O Mosteiro é âncora, porto seguro para aqueles que apreciam boa comida, sem invencionices. É uma das razões pelas quais viver no Rio ainda vale (muito) a pena.

AVALIAÇÃO
Comida: 8/10
Ambiente: 8/10
Serviço: 9/10
Carta de vinhos: O restaurante conta com loja de vinhos, com excelente oferta de rótulos.
Preços: Caros.

Dica extra: O restaurante Mosteiro deve seu nome à proximidade com o Mosteiro de São Bento, uma das construções mais lindas do Rio. Se estiver nas redondezas, não perca a oportunidade de conhecer uma igreja deslumbrante, exemplo dos estilos barroco e rococó, com suas paredes forradas com talha dourada.

MOSTEIRO
Rua São Bento, 13
Centro, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2233-6478

Jornalista, carioca e tricolor

Jornalista, carioca e tricolor. Gasta certamente mais do que deveria em restaurantes e vinhos e hoje em dia só viaja para conhecer novos pratos e sabores. Considera-se um gourmet "clínica-geral": frequenta botecos de má fama do Centro do Rio com a mesma paixão que sente ao entrar num três estrelas Michelin. Apesar disso, não consegue esconder uma mal disfarçada predileção por lugares clássicos, com história, pátina e estrada. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou em algumas das principais redações do País, como Gazeta Mercantil, O Estado de S.Paulo e O Globo. Além do Rio, já morou em São Paulo, Buenos Aires (onde foi correspondente do Globo) e Brasília. Hoje é sócio-diretor da FSB Comunicação, a maior empresa de Comunicação Corporativa do Brasil.

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