Maniçoba é de origem indígena, certo?

maniçoba

Muitas receitas têm origem desconhecida ou cercada de histórias que pecam pela falta de precisão e pelo excesso de imaginação. A da maniçoba é particularmente curiosa e guarda pelo menos um grande mistério.

Como e quem chegou à conclusão de que era preciso cozinhar a folha da mandioca (maniva) por sete dias para tirar seu efeito venenoso —  pela presença de uma substância chamada acido cianídrico? Quantos terão morrido até tal descoberta?

Como se sabe, as folhas da mandioca são a base da receita da maniçoba. Moídas e cozidas, são levadas ao fogo por uma semana para estarem aptas ao consumo humano. Aí colocam-se carnes e embutidos defumados.

É quase uma feijoada — no aspecto, inclusive –, mas sem feijão, e é típica da culinária do Norte do Brasil. Por isso mesmo costuma ser pensada como um alimento de origem indígena, mas aí é que está outro detalhe curioso dessa história.
A maniçoca é, na verdade, uma invenção de origem africana. Ou seja, técnicas africanas aplicadas a ingredientes amazônicos por escravos africanos trazidos para trabalhar no Norte.

Inclusive, em vários países da África encontram-se receitas parecidas, a exemplo da matapa, de Moçambique. Nesse prato, as folhas batidas no pilão são misturadas a amendoim, leite de coco, camarão ou caranguejo. E, claro, cozidas dias a fio.

Quer dizer, a não ser que lá, como aqui, a massa da maniva já seja encontrada no mercado em versão pré-cozida. Isso mesmo. A maniva prontinha para ser usada hoje em dia está à venda até em sites como OLX e Mercado Livre. Sinal dos tempos.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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