Louis Pasteur e o bolo fofinho da vovó

bolo de Ameixa_Foto reprodução Facebook PÓ Royal

Se eu falo Louis Pasteur (1822-1895), você vai pensar imediatamente em saúde, hospital, laboratório clínico. Sim, porque o cientista francês é mais lembrado pelas suas notáveis descobertas nessa área — a exemplo da vacina contra a raiva. Mas Pasteur também tem em seu currículo pesquisas que foram muito úteis para a culinária e para a produção de bebidas.

Olha que óbvio: Pasteur, pasteurização. Sim, foi ele que descobriu uma forma de evitar que vinhos e cervejas azedassem, quando atuava na Faculdade de Ciências na Universidade de Lille, norte da França, por volta de 1857. Pasteur se interessou pelo tema instigado por vinicultores e cervejeiros da região, que buscavam uma forma de conservar por mais tempo seus produtos.

Louis Pasteur: contribuições para a saúde e também para a cozinha

Passou, então, a estudar seres microscópicos, à época conhecidos como animálculos, levedos, vibriões ou glóbulos…, hoje identificados simplesmente como micróbios. Uma pesquisa na qual se ocupou por cerca de 15 anos e que, ao final, ofereceria subsídios valiosos para a indústria alimentícia e de bebidas fermentadas.

Experiência vai, experiência vem, o cientista descobriu que se aquecesse a bebida lentamente até alcançar 55°C, temperatura letal para as bactérias, e colocasse o líquido, em seguida, dentro de recipientes hermeticamente fechados, poderia evitar uma nova contaminação. Desse processo surgiu a técnica de pasteurização que hoje é aplicada a diversos alimentos.

Outra consequência das pesquisas de Louis Pasteur relacionada à cozinha diz respeito ao fermento culinário. Ao constatar que a fermentação não tinha que ser necessariamente espontânea, lançou as bases para a criação do fermento químico, que veio a ser uma evolução do bicarbonato de sódio, primeiro ingrediente usado pelos cozinheiros para deixar os bolos mais fofinhos.

Pasteur ainda estava envolvido em suas pesquisas quando, em 1866, os irmãos Cornelius e Joseph Hoagland, da Pensilvânia (EUA), se associaram para produzir o Royal Baking Powder, nada menos que o famoso pó Royal, até hoje presente na despensa de quem adora fazer bolo. Em 1891, o farmacêutico alemão August Oetker fundou a empresa leva o seu nome, Dr. Oetker, para produzir produto similar, o Backin.

E desde então só faz bolo solado quem quer…

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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