Lâmen, noodle, miojo. Entenda o que é o quê

Lamen

Em 2019, o Brasil foi o décimo país que mais consumiu macarrão instantâneo no mundo, informa a Associação Mundial de Macarrão Instantâneo (WINA, na sigla em inglês). Curioso é que dos outros nove países à frente no ranking, oito são asiáticos – a exceção são os Estados Unidos, em sexta posição.

Considerando que a Ásia consome 80% dessa massa produzida no mundo, conclui-se que brasileiro gosta mesmo de um “miojo”, como ficou popularmente conhecido aqui esse tipo de macarrão. Nas contas da WINA, no ano passado foram servidas pelo menos 2,4 bilhões de porções de macarrão instantâneo no nosso país.

Agora vem o esclarecimento, se você confunde “miojo”, noodle e lâmen. Miojo foi uma marca de macarrão instantâneo, uma versão prática do macarrão chinês em tiras onduladinhas como os desenhos do calçadão de Copacabana, que os chineses comem há mais de 4 mil anos e chamam de noodle.

O noodle, por sua vez, é ingrediente básico de uma sopa consumidíssima nos países asiáticos, chamada lâmen ou râmen. Após a Segunda Guerra Mundial, com a importação de farinha de trigo dos Estados Unidos, o lâmen se tornou prato popular e barato no Japão e região.

E ainda mais depois de 1958, quando o japonês Momofuku Ando inventou o macarrão instantâneo e fundou na cidade de Osaka a Nissin Food Products. Os japoneses ficaram tão encantados com a praticidade da coisa que chamavam de “lâmen mágico” o noodle que cozinhava rápido e já vinha com tempero.

Em 1965, a Miojo começou a fabricar macarrão instantâneo em São Paulo e assim como lâmina de barbear virou “gilete”, macarrão instantâneo virou “miojo”. Em 1981, a Nissin chegou ao Brasil e aos poucos incorporou a Miojo, tornando-se única dona da marca em 1983 e virando Nissin Foods Brasil.

Lâmen do Momofuku, d David Chang, em Nova York

Fato é que os brasileiros acabaram conhecendo o lâmen primeiro em sua versão mais popular e, digamos, simplificada. No lâmen original, o noodle é cozido junto com um caldo base, geralmente feito com ossos de porco, peixe ou frango e temperado com o molho tarê. As receitas, porém, variam, permitindo ao cozinheiro adicionar ingredientes a seu gosto e criatividade.

Nos países asiáticos, a sopa tanto é servida em barraquinhas de rua quanto em restaurantes. E ganhou popularidade e sofisticação ao redor do mundo, a ponto de ser a base do menu de um dos restaurantes mais badalados do East Village de Nova York, o Momofuku, do chef David Chang.

O nome Momofuku, evidentemente, é uma homenagem ao inventor do macarrão instantâneo. Momofuku Ando morreu em 2007, aos 96 anos, de um ataque cardíaco, quando a empresa que criou já tinha se tornando uma gigante internacional.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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