Gin nacional, um mercado em expansão

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O mercado brasileiro de bebidas cresce a cada ano. O gin é a bola da vez. Produções artesanais de cerveja e novas marcas de cachaça estão surgindo com mais vigor e qualidade nesta última década. Ultimamente, algumas marcas brasileiras de gin vêm tomando espaço nas prateleiras de supermercados de peso, delis, importadoras de bebidas e de renomados bares nas grandes cidades brasileiras.

São diversas marcas como Amázzoni, Arapuru, Draco, Virga, Yvy, entre outras. Amigos me perguntam, mas este é “um bom gin?”. Todos querem comparar com o mercado internacional dos tradicionais Tanqueeray, Bombay, Beefeater, Hendricks etc.

Na minha opinião, todos são bons gins, cada um com suas particularidades. Abordei 5 marcas do mercado brasileiro e fiz a seguinte pergunta aos sócios ou representantes das marcas: “Por que consumir um gin nacional e não um consagrado Tanqueray?

Abaixo de cada marca, vocês irão conferir as respostas. Primeiramente, vale a pena saber direitinho o que é o gin. É uma bebida destilada de álcool de cereais. Posteriormente, passa por processo de infusão com zimbro e outras especiarias e botânicos. Tem teor alcoólico entre 37.5% e 50%, dependendo da marca (teor semelhante a outras aguardentes como vodca, uísque ou cachaça). Teve origem nos Países Baixos, no século XVII, mas adquiriu sua forma atual na Inglaterra.

O gin é conhecido por ser um aguardente aromático. Cada marca se destaca por sua combinação única de ingredientes, dos quais as bagas de zimbro são obrigatórios, por lei. Outros ingredientes podem ser utilizados por cada marca para obter características próprias. Entre os ingredientes mais usados, além do zimbro, estão a canela, cascas de frutas cítricas, sementes de coentro, pimenta-da-jamaica, raiz de alcaçuz, pimenta-do-reino, cássia, farinha de amêndoa e outros.

Vamos conhecer um pouco destas 5 marcas da bebida que vêm conquistando o mercado brasileiro :

1. Gin Amázzoni

Foi lançado em março de 2017 e nascido em uma fazenda de 1717, situada no verdejante Vale do Rio Paraíba, cerca de 130km do Rio de Janeiro. Primeira destilaria exclusiva de gin do Brasil, com um produto 100% brasileiro por filosofia.

Utiliza alambique de cobre com capacidade de produção de 1.500 garrafas por dia. Hoje, já é distribuido em 9 estados brasileiros (RJ,SP,BA,MG,PR,SC,RS,DF e PE / no verão em Trancoso e Fernando de Noronha). No mercado externo, a marca já atua na Itália, Cingapura e Estados Unidos.

Em fevereiro de 2018, foi vencedor do World Gin Awards em Londres como o melhor London Dry brasileiro. Além de outros prêmios para design de embalagem e pela sustentabilidade.

Na minha opinião, a garrafa é realmente lindíssima! Os responsáveis pela sua criação são o artista plástico brasileiro (Alexandre Mazza), o mixologista argentino (Tato Giovannoni – do renomado Floreria Atlântico, em Buenos Aires) e o arquiteto italiano (Arturo Isola).

O Amázzoni utiliza botânicos nacionais como maxixe, cacau e castanha do pará, coentro, louro, limão siciliano, mexerica e os exóticos cipó-cravo, aroeira e semente de vitória régia junto ao zimbro claro que da a característica de um London Dry.

Inspirado na lenda Amazônica da índia Iara, que se afogou às margens de um rio e foi transformada pela Lua em uma estrela como presente, tem como slogan: “E das águas nasceu a estrela”.

Hoje, há visitas abertas a destilaria com sessão de destilação e almoço harmonizado com os botânicos Amázzoni. Um ótimo programa para os amantes da bebida.

A minha pergunta acima foi respondida pelo empresário e bartender Ale D’agostinho sócio da Apothek empresa que representa o Amázzoni no Brasil:

– Ju: “Por que consumir um Amázzoni, gin nacional, e não um consagrado Tanqueray?

– Ale: “Acredito que os gins nacionais, particularmente o Amázzoni, estão conseguindo alcançar uma qualidade muitas vezes superiores aos gins tradicionais, principalmente, se comparados aos clássicos London dry standard. E também, receitas com ingredientes locais. O custo beneficio se mostra muito bom. “

Onde encontrar: @amazzonigin / www.amazzonigin.com
R$98,00 (compra pelo site: https://www.apothekcocktails.com)

2. Gin Arapuru

A proposta do Arapuru, do eslovaco Mike Simko, é criar o primeiro London Dry Gin com botânicos que revelem, por meio do sabor e do perfume, as riquezas desse Brasil-Mundo. O processo começou com a pesquisa de ingredientes dos 5 cantos do país, utilizando referências da chef e pesquisadora da gastronomia brasileira, Ana Luiza Trajano e de engenheiros agrônomos como Harri Lorenzi e Abreu Matos. Desse encontro, dessa fusão, nasce uma receita que leva 12 botânicos naturais.

A marca acredita na ousadia de ser brasileiro e na riqueza da nossa cultura. Buscou com inspiração a vida dos anos 20 que impregnou a arte, a literatura e a música com um frescor libertário pulsante, jovem e sedutor.

Mike Simko, criador da marca, cresceu colhendo zimbro na montanhas da Eslováquia. Na adolescência, tomava uma bebida com zimbro chamada Brovicka, a “cachaça” eslovaca. Desta história de infância, das viagens pelo mundo, da ligação com a coquetelaria em Londres e da vinda ao Brasil, nasceu a vontade de ter sua própria marca. A inspiração do nome vem da conjunção da obra de Anita Malfati, Abaporu, com o pássaro brasileiro da Amazônia Uirapuru. Nascendo assim o Gin Arapuru.

A fruta caju tem papel de destaque na sua receita: suculenta e adstringente, traz a doçura e o perfume do Brasil. A leve picância vem da imbiriba, puxuri e pimenta rosa junto as notas do cardamomo brasileiro pacová, misturado com um toque cítrico da bergamota montenegrina e limão cravo e sabor amargo da raiz da angélica. Além do coentro, aroeira, louro e hibisco, mas sempre deixando o zimbro aparecer como protagonista.

Os segredos da produção do Arapuru foram ensinados por um dos maiores destiladores de gin do mundo, Rob Dorsett. Para extrair o máximo de sabor, parte dos insumos são macerados por 24h no álcool etílico de cereais dentro do alambique de cobre aquecido em alta temperatura. Outra parte passa por infusão a vapor.

Fiz a mesma pergunta ao Mike sobre :

– Ju: “Por que consumir um Arapuru, gin nacional, e não um consagrado Tanqueray?

Mike devolveu minha pergunta com uma outra pergunta:

– Mike: “Por que eu deveria consumir uma cerveja premium artesanal brasileira ao invés de uma Heineken? Heineken tem uma alta qualidade sim, venda em larga escala, um produto importado e processo industrializado. Arapuru é um gin premium artesanal, ingredientes brasileiros (tirando zimbro) onde temos por trás de todo processo de fabricação a consultoria de um químico e destilador mestre, Rob Dorsett, que nos ensinou todas as etapas, similar a enormes marcas internacionais. Tanqueray tem 4 botânicos já Arapuru tem 12, ou seja, traz novos sabores e aromas, quase uma cerveja artesanal brasileira. Nosso objetivo é ter um gin com brasilidade e não se igualar a um London Dry importado.

COQUETEL ABAPURU & TONIC, por Erik Lorincz

Ingredientes
– 1 dose de Arapuru Gin
– 1 fatia de caju
– Água tônica
– Gelo

Modo de preparo
– Coloque cubos de gelo em um copo americano. Adicione a dose de Gin e a fatia de limão, complete com água tônica e decore com o caju.

Onde encontrar
@arapurugin / https://arapuru.com.br/home/

R$ 130,00 preço no site

3. Gin Draco

Criado pelo empresário e mixologista Rodrigo Marcusso, Draco é um London Dry Brasileiro Premium. Uma mistura de clássicos botânicos importados (alcaçuz, alecrim, angélica, coentro, lírio, sálvia e zimbro) e dois cítricos brasileiros que resultam em um blend ousado, aromático e com toques cítricos e amadeirados ao final. Elaborado com álcool 100% de grãos, é fabricado artesanalmente em alambique de cobre em Pirassununga (SP) e tem como característica leveza e personalidade.

Um dos diferenciais na produção é o processo de fixação de aromas, semelhante ao de fabricação dos perfumes, no qual o produto final já engarrafado fica sete dias resfriado a -6 graus e em câmara fria seca, lentamente em temperatura ambiente.

O nome do gin é uma homenagem a Draco, constelação do Dragão, uma representatividade a figura imponente, forte e ao mesmo tempo mítica e carismática que em todas as culturas é representado por ser sinônimo de força, sabedoria e energia.

O Draco Gin é encontrado em garrafas de 750 ml, com preço final de R$102,00 no Empório Frei Caneca, Eataly, Empório Sta. Maria e na rede de supermercados St.Marche. Também pode ser degustado no bar Guilhotina e no restaurante Sal.

Rodrigo, empresário com vasta ligação na área de coquetelaria e um grande apreciador de gin, resolveu dedicar um pouco do seu tempo livre a produzir pequenos lotes para “consumo pessoal”. Quando realizou uma viagem para Europa em 2015 visitou diversas destilarias de gin e teve a possibilidade de fazer cursos e especializações. Em 2016, seu gin foi submetido a diversas degustações e testes no Brasil e exterior onde teve grande aceitação. Com o sucesso,tomou a decisão de produzir os primeiros pequenos lotes com finalidade comercial.

Marcusso respondeu a  minha pergunta:
– Ju: “Por que consumir um Draco, Gin nacional, e não um consagrado Tanqueray?

– Rodrigo: “ Eu sempre respondo com essa outra pergunta. Por que você prefere uma cerveja dogma ou qualquer outra grande cerveja artesanal a uma commoditie como Bud, Stella ou até mesmo importadas? Porque o artesanal valoriza o processo produtivo.

Onde encontrar: @dracogin / http://www.dracogin.com.br/
Valor da garrafa: R$ 102,00

4. Gin Virga

Primeiro gin artesanal brasileiro, feito em pequenos lotes na Fazenda Guadalupe, em Pirassunga interior de São Paulo. É o único no mundo a levar doses de cachaça de alambique em sua composição. Os ingredientes frescos são macerados manualmente e destilados em um alambique de cobre. Além de cachaça produzida no próprio alambique, utilizam zimbro, sementes de coentro e um ingrediente especial, o pacová.

Como inspiração para criação da receita, os sócios Felipe Jannuzzi, Gabriel Foltran (mestre alambiqueiro), Joscha Niemann e João Leme, buscaram honrar mais de 450 anos de tradição brasileira em produzir destilados de cana-de-açúcar em alambiques de cobre. Seu nome vem do trecho de “Sobrados e Mucambos”, de Gilberto Freyre, faz o prefácio de “O Brasil Holandês”, de Evaldo Cabral de Mello Neto, e descreve a ideia da Virgindade Agreste.

Em 2018, receberam o reconhecimento do “The Gin Guide” de Londres como um dos melhores gins do mundo e entre os mais inovadores na categoria gin contemporâneo.

Valorizar ingredientes locais, respeitar as heranças e revelar a qualidade da produção nacional são as motivações dos time de sócios para oferecer uma experiência saborosa e exclusiva.

Conversei com Felipe Jannuzzi, um dos sócios para responder a pergunta abaixo:

– Ju: “Por que consumir um Virga, gin nacional, e não um consagrado Tanqueray?

–  Felipe: “ No mundo inteiro, tem uma corrente que só se fortalece que é o consumo de produtos locais, com identidade, historia e sabores que revelam uma origem própria. Isso acontece na gastronomia em geral: cafés, queijos, cervejas, ingredientes, etc… No mundo dos destilados, não é diferente. Quando fui palestrar no Bar Convent Berlin em 2016, percebi que muitas das marcas presentes no evento eram de gins que representavam uma região específica da Europa. E esses eram os gins mais interessantes em termos de conceito e sabor.

Esse movimento se fortaleceu tanto que existe uma categoria própria para falar deles: gins contemporâneos. Sensorialmente, eles deixam de lado o destaque do zimbro (típico do estilo clássico London Dry, como Beefeater, Tanqueray, etc..) e exploram aromas mais complexos, inusitados e que representam uma região. Tem gin lá fora que leva mistura com sake, com vinho, com mezcal. E geralmente, os gins contemporâneos trabalham com botânicos muito diferentes dos clássicos. Virga é assim também. Somos diferentes porque somos o 1º gin brasileiro – temos que ser diferente porque nunca foi feito algo do tipo. Gostamos de dizer que somos o “Gin Mais Brasileiro do Mundo”. Nossa história, conceito e sabores estão ai para representar o Brasil.

Virga é uma inovação que quer mostrar para o mundo a tradição brasileira de produção de destilados, que data de 1532, e a complexidade dos nossos aromas e sabores. Somos um gin jovem, que não vai agradar conservadores mais velhos que passaram a vida inteira tomando bebida industrializada. Temos orgulho de representar o Brasil e de criar algo de extrema qualidade e personalidade. Acho que uma música que explicaria Virga seria Jorge Maravilha do Chico Buarque: “Você não gosta de mim, mas sua filha gosta” hahaha

Outra questão importante: somos artesanais, ou seja, produzimos nossa base alcoólica e usamos botânicos naturais. As marcas são industrializados, e utilizam extratos e aromas.”

Contato: http://www.virga.com.br/
R$ 99,00 preço no site
Felipe Jannuzzi / [email protected]

5. Gin YVY

 

Em janeiro de 2018, estreou no cenário de bebidas nacionais a Yvy Destilaria. A empresa de Belo Horizonte, que nasceu com o propósito de fomentar o mercado de destilados no Brasil. A Yvy apresenta seu primeiro fruto: Yvy Mar – um gin inspirado no estilo London dry clássico mas, intitulado de brazilian dry gin, com 46% de teor alcoólico que além de zimbro e coentro, leva mais dez botânicos em sua destilação.

A frente do projeto está o empresário mineiro André Sá Fortes (Ceo e Idealizador, formado em publicidade e gastronomia, abriu em 2013 o bar MeetMe at the Yard em Belo Horizonte). Empreendedor, começou estudando a produção da cachaça até chegar no gin. Sensível ao valor das bebidas importadas versus a qualidade das nacionais, André uniu esforços para colocar no mercado um destilado de qualidade e provar que a coquetelaria brasileira pode continuar se desenvolvendo a partir de produtos feitos aqui.

Para desenvolver o projeto, buscou parceria de duas referências no mercado internacional: Darren Rook e Mr. Lyan. Rook é fundador da London Distillery, uma das mais conceituadas de Londres. Ao longo de sua carreira foi responsável pela criação e desenvolvimento de vários produtos premiados, incluindo o Dodd’s gin e o gin da casa da marca inglesa de chás Fortnum and Mason.

Junto ao time de estrangeiros está Ryan Chetiyawardana, conhecido como Mr. Lyan, uma das figuras mais influentes da mixologia global. Destacado pelo jornal Evening Standard como uma das personalidades mais influentes de Londres, Mr Lyan é conhecido por seus estudos e inovação em drinques, aplicação de ingredientes e por desenvolver uma coquetelaria sustentável. Em Londres, é dono de dois bares: Super Lyan (antigo White Lyan, 2013) e Dandelyan (2014).

Completa o time, Marco de la Roche, mixologista paulistano, um dos principais expoentes da coquetelaria nacional, como embaixador da marca. Teve passagem pelo mundo do café como embaixador do café nacional pela ACBB, premiado pelo concurso Coffee in Good Spirits e esteve entre os dez melhores baristas no Campeonato Mundial (Londres, 2010). À frente da Drink.Lab, sua agencia de consultoria, Marco já colaborou com mais de 65 bares e conquistou premio de melhores cartas de drinques em São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, e Salvador. Já foi embaixador de várias marcas importantes.

O nome da destilaria pronuncia-se “ivi”, significa “o chão que pisamos” ou “território” em tupi-guarani. Yvy foi pensado para reverenciar a cultura dos brasileiros, nesse sentido, Yvy Mar seria um “oceano de descobertas” dos ingredientes mais interessantes trazidos por imigrantes. São doze botânicos presentes na receita, entre eles cardamomo, amêndoas, kombu (alga japonesa), alcaçuz e raiz de íris.

Além do Yvy Mar, os sócios da destilaria trabalham para criar a triologia completa com outros gins, o Yvy Terra e Yvy Ar que serão produzidos até o final do ano.

– Onde encontrar:
@yvy.destilaria / www.yvydestilaria.com.br

R$ 96 preço no site.

arquiteta, cenógrafa e blogueira de coquetelaria

Juliana Raimo presta consultoria em coquetelaria para veículos de comunicação, desenvolve cardápios de drinks conceituais junto a bartenders convidados para eventos e presta consultoria para restaurantes na conceituação e realização de cartas de drinks. Realiza também festas temáticas que unem a coquetelaria, gastronomia, arte e música. Já escreveu para mídias como Revista da Gol, Prazeres da Mesa, site Dedo de Moça, site B-Coolt entre outros. Desde 2009, assina a coluna drinkme no blog Gastronomix. Com mais de 300 artigos publicados, fala do universo dos coquetéis e convida o leigo a aprender a arte de preparar e apreciar um bom drink. Atualmente, realiza degustações de drinks por toda a cidade e leva ao leitor dicas de onde ir, quais bartenders procurar e o que beber em São Paulo e pelas cidades que passa.

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