Gengibirra do Amapá não é para os fracos

Gengibirra Mangarataya 4

Gengibirra, ginger beer, cerveja de gengibre. Apesar do nome, essa bebida tradicional em alguns estados do Brasil não tem nada de cerveja. É na verdade uma tubaína (nome dado a bebidas carbonatadas e doces). No Paraná, a Cini Bebidas produz há mais de 80 anos a Gengibirra, refrigerante que compete, no mercado local, com marcas famosas.

Este ano, inclusive, a Gengibirra da Cini foi tombada como patrimônio cultural imaterial da cidade de Palmeira, nos Campos Gerais do Paraná, onde começou a ser fabricada. Mas ela não é a única no país. Em Piracicaba (SP), tem a Orlando; em Rio das Pedras (RJ), tem a Limongi… O Amapá também tem a sua, mas é lá que o bicho pega.

A gengibirra amapaense é igualmente uma tradição, mas tem na receita somente gengibre, cachaça, açúcar e água, enquanto as tubaínas combinam frutas, gengibre, açúcar, ácido tartárico, fermento de pão e água. No estado do Norte, aliás, a gengibirra ganha ainda mais peso como ícone cultural, já que seu consumo está associado às rodas de marabaixo da comunidade negra de Mazagão Velho, na região metropolitana da capital Macapá.

As rodas também são encontradas nos bairros de Laguinho e Favela. Dizem que a bebida dá força e energia para os brincantes aguentarem uma noite inteira dançando o marabaixo e entoando os ladrões, como são chamados os versos das cantigas da festa. Além do mais, também atribuem à gengibirra o poder de melhorar a garganta quando as cantoras ficam roucas.

A marca mais conhecida de gengibirra amapaense é a Mangarataya. A bebida tem o aspecto de uma cerveja turva e desce queimando na garganta, mais pelo efeito do gengibre do que pelo álcool. Pode ser consumida ao natural, mas gelada fica bem melhor.  Indo à capital do Amapá, não tem como não encontrar a bebida. Ela está nas lojas de artesanato local e pode ser adquirida até por delivery do iFood.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

Deixe um Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.