E foi assim que surgiu o champanhe francês

Champanhe  Foto Pixabay

Champanhe, todo mundo sabe, é o vinho espumante feito na região de Champanhe, na França. A bebida produzida por lá alcançou nível de excelência tal que se tornou denominação de origem controlada (DOC), impedindo que o similar fabricado em qualquer outra parte do mundo pudesse ser chamado champanhe. Mesmo em que outros lugares já se faça espumante tão bom quanto o francês, a exemplo das regiões de Lamego e Bairrada, em Portugal.

Dom Oérignon, desde 1936

Agora, para saber como os champanheses sedimentaram essa tradição, é preciso voltar lá para os fins do século 17 e início do século 18, quando ainda era vivo o monge beneditino Pierre Pérignon (1639-1715), ou Dom Pérignon. Esse mesmo que virou nome de um dos champanhes mais apreciados pelos que gostam do vinho com borbulhas — o Dom Pérignon, lançado em 1936 pela Moët-Chandon. 

Foi Dom Pérignon quem inventou o champanhe, assim meio por acaso. O monge era encarregado das adegas da Abadia de Hautvilliers — cidadezinha francesa que hoje tem notoriedade entre os turistas por ser chamada de “berço do champanhe”. Pois bem: a abadia era pobrezinha e os monges tinham que se virar para mantê-la, inclusive fabricando o próprio vinho.

E Dom Pérignon, na condição de encarregado das adegas, estava enfrentando um problema. Como o clima da região era frio demais, a fermentação das uvas era interrompida antes da chegada do inverno. E quando vinha a primavera e o tempo aquecia, elas voltavam a fermentar de novo, já dentro das garrafas, criando dióxido de carbono, o que gera as famosas borbulhas.

A Abadia de Hautvilliers, hoje um ponto turístíco na região de Champanhe

Dom Pérignon buscava uma forma de evitá-las, até que resolveu desistir e usar aquele efeito a seu favor. Passou a misturar diferentes uvas, para conseguir um vinho mais brilhante; mandou buscar na Inglaterra garrafas mais resistentes, para evitar que explodissem pelo efeito das bolhas; e substituiu as rolhas de madeira que usava por outras de cortiça, encomendadas na Espanha.

Logo sua técnica começou a ser copiada e a fama do “vinho espumoso” de Champanhe se espalhou rapidamente. Querido entre a nobreza francesa e inglesa, veio daí sua tradição como bebida chique, para celebrações especiais.

Evidentemente, a técnica criada pelo monge foi aperfeiçoada e hoje o champanhe, para ser chamado assim, tem que ser feito dentro de rigorosas regras. Primeiro, só pode ser produzido a partir de duas uvas tintas (pinot noir e pinot meunier) e uma branca (chardonnay), cultivadas em região delimitada pelo governo francês. Segundo, seu método de plantação e produção é severamente controlado pelo Comité Interprofessionnel du Vin de Champagne (CIVC).

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

Deixe um Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.