De onde vem o preconceito com a carne suína?

Carne suina Foo Divulgação ABCS

A carne suína ainda hoje é cercada de preconceitos. Dizem que é “carregada”, não indicada para mulheres grávidas, que traz o risco da teníase (infecção no sistema digestivo transmitida pela ingestão da carne contaminada e mal passada)… Mas nem tudo que se fala a respeito dessa proteína é verdade. Ou se já foi, deixou de ser.

É o seguinte: por muito tempo, os porcos foram criados e abatidos, principalmente, para o fornecimento de banha para uso culinário. Além disso, na maioria das vezes, os animais eram criados nos quintais, em meio à lama e se alimentando de restos de comida dos humanos, o que ajudou a associar a imagem do porco à sujeira.

Embora os óleos vegetais, extraídos de sementes e frutos secos, existam desde muito tempo —  o de gergelim, por exemplo, já era conhecido pelos antigos egípcios — eles só começaram a ser utilizados amplamente na primeira metade do século 20. A banha foi então posta de lado e a carne de porco, que já não era muito considerada, passou a ser uma carne de terceira.

Com o passar do tempo, porém, houve uma modernização na criação desses bichos. Hoje, muitos dos criadouros são dotados de alta tecnologia e infraestrutura que permite, entre outras coisas, lavar regularmente as áreas por onde os animais transitam — agora mais amplas do que as estreitas baias em que os porcos eram confinados até poucos anos.

Um chip colocado na orelha de cada animal, por exemplo, possibilita ao criador controlar a saúde dos bichos e acompanhar a alimentação, estabelecendo um limite de ração diária. Isso diminui consideravelmente o nível de gordura nos cortes. É o que na suinocultura se chama de “bem-estar animal” (ops! Se você é vegano e chegou até aqui, calma, só estou explicando).

Portanto, embora os criadores de suínos ainda tenham que se esforçar para esclarecer o público sobre as ideias infundadas a respeito de seu produto (a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos — ABCS até criou um site só para isso), é possível dizer que hoje em dia a carne suína, como qualquer outra carne, só será ofensiva ao organismo se tiver procedência duvidosa.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

Deixe um Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.