Como o embaixador Leão Veloso virou nome de sopa

Sopa Leão Veloso

Sopa Leão Veloso? Já ouviu falar? Ela integra o cardápio do restaurante Rio Minho, patrimônio histórico do Rio de Janeiro. A casa, especializada em frutos do mar, começou a funcionar em 1884, na Rua do Ouvidor, 10, e já teve três proprietários, todos portugueses, antes de ser assumido pelo galego Ramon Isaac.

Pois bem, com tanto tempo em atividade, é claro que o Rio Minho é cheio de histórias, mas o objetivo deste post é falar sobre a sopa citada logo no início do texto e cumprir o prometido no título: contar como o embaixador Leão Veloso virou nome do prato.

Pedro Leão Veloso (1887-1947) foi apenas uma das figuras célebres que frequentavam o Rio Minho — o filólogo Antonio Houaiss (1915-1999) também batia ponto por lá e tem uma peixada com seu nome no menu. Ministro das Relações Exteriores do Brasil em diferentes ocasiões, Veloso viajou o mundo.

Área externa do Restaurante Rio Minho, algumas décadas atrás (data não informada)

Numa dessas, mais exatamente em Marselha, cidade francesa às margens do mediterrâneo, ele conheceu o bouillabaisse, caldo típico da cozinha francesa, feito com diversos tipos de peixe. O embaixador gostou tanto que, voltando ao Brasil, incentivou o proprietário do Rio Minho à època (isso lá pela década de 1940) a tentar reproduzir a receita por aqui.

Baseado nas instruções de Leão Veloso, o restaurateur conseguiu elaborar uma adaptação à qual deu o nome do embaixador. Desde então — ou seja, lá se vão sete décadas –, a sopa Leão Veloso figura como carro-chefe no cardápio daquele que é, pelo que consta, o restaurante mais antigo do Rio de Janeiro e que, no Brasil, só perde em longevidade para o Leite, em Recife.

Originalmente, o bouillabaisse era um “prato de pobre”, consumido por pescadores, que para fazê-lo utilizavam peixes menos nobres, sem valor comercial. Mas a sopa do Rio Minho não tem nada de popular no preço. Além de peixes, leva lula e camarão e custa R$ 207 em porção para dois.

Mas para quem quiser se arriscar a prepará-la em casa, há na internet algumas receitas do prato, com pequenas variações.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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