Chajá, sobremesa tão uruguaia quanto doce de leite

Chajá sobremesa uruguaia

Chajá é o nome de uma sobremesa que combina bolo esponja, suspiro, pêssegos e creme à base de manteiga. Calórico que só ele, mas irresistível. Tanto que há quase um século é consumido pelos uruguaios após a refeição ou na companhia de um café.

Sim, o Chajá é uma criação uruguaia tão tradicional (e gostosa) quanto o doce de leite. A receita original foi criada e patenteada em 27 de abril 1927 por Orlando Castelhana, da confeitaria Las Familias, que fica na cidade de Paysandú.

Paysandú fica a 305 km acima de Colônia de Sacramento, bem pertinho da fronteira argentina. E dali o doce ganhou o Uruguai. Apesar da marca registrada e mantida em segredo pela família Castelhana, foi se espalhando e ganhando variações na receita.

Por outros doceiros (dá um Google e você acha várias receitas) e pela própria família dona da marca Chajá, que hoje comercializa o doce clássico sem frutas, com morangos, chantili, chocolate aromatizado com caramelo, sorvete e o Chajá Gold (com pêssego e abacaxi).

O nome Chajá foi inspirado por uma ave natural da América do Sul, que parece um pavão e é muito comum na região de Paysandu. Ao observar o pássaro, Orlando Castelhana achou que a plumagem arejada e o corpo leve tinha tudo a ver com a sobremesa inventada por ele.

O doce é reconhecido como Patrimônio Cultural com Valor Gastronômico pelo Comitê de Patrimônio do departamento de Paysandú e, em outubro, o Ministério do Turismo do Uruguai e o Instituto Uruguai XXI concederam ao Chajá a licença para uso da marca do país, Uruguay Natural.

A família Castellana se mantém como empresa familiar, já na quarta geração, e atualmente se empenha em expandir e internacionalizar o produto. No Uruguai, a marca se transformou, inclusive, em franquia, o Chajá Bistrô já tem unidades em Montevidéu e Paysandu e outras estão sendo implementadas em 20 cidades do país.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

Deixe um Comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.