Chás e infusões do mundo todo em Nova York

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Nova York, para mim, é um resumo de tudo o que tem no mundo. Para provar qualquer prato ou bebida sem muito esforço de deslocamento, podemos logo correr para a cidade e achamos tudo concentrado ali mesmo, do Japão à Argentina.

Com o chá, não seria diferente. O que você quiser conhecer de chá e infusões do mundo todo, de qualquer montanha, dos campos mais longínquos, Nova York tem.

O meu mapa inicial de lugares para visitar já era gigantesco (e é claro que ainda não consegui cumprir tudo, mas ainda hei de cumprir!), e eu ainda encontrei mais lugares pelo caminho, que merecem nova visita (em breve, espero!). Uma loucura de encontros e sabores.


Para minhas descobertas, sempre tento levar você comigo, pelas redes sociais. Mas eu quero mesmo é que você passe por esses lugares, tenha as suas experiências, para me contar a sua visão. Por isso, para lhe animar a fazer seu roteiro chá na cidade, tá tudo aqui e agora, organizadinho, do jeito que a gente gosta e você, Gastronomixer, merece. Cada um desses lugares foi provado na prática, com as dores e delícias que só a experimentação é capaz de nos dar.
E como tudo aqui só fica melhor sempre, essa postagem acaba de ser atualizada com as percepções de André Alves, moço bonito da foto abaixo, pesquisador de tendências e chazeiro convicto, que atende nas redes sociais pelo codinome de @realmrtea. Estivemos na cidade quase na mesma época e aproveitamos cada uma dessas experiências ao máximo, pra lhe ajudar a montar o seu #roteiromágico. Quem vem com a gente?


TEABAR – Um bar dedicado aos chás e infusões, com um cardápio bem extenso. Para acompanhar, comidinhas veganas e sem glúten, mas cheias de sabor. Por lá, encontrei Guayusa, uma plantinha parente do nosso mate, originária do Equador, que era doida pra provar. E meu paladar super aprovou! O scone de queijo com alho poró estava divino.

PORTEÑAS – Os argentinos despertaram para a versatilidade do mate e têm explorado isso mundialmente. Prova disso é ter encontrado uma “casa de chás” especializada em erva-mate no Brooklyn, região badalada de Nova Iorque, que vai além de chimarrão e tereré; no local, há blends e comidinhas feitos com o mate, além de acessórios descolados para o consumo. Tudo em um ambiente bem charmoso conduzido, claro, por argentinos. Uma grata surpresa.

IPPODO – O chá verde mora no meu coração. E quando se trata de matchá, ele bate ainda mais depressa (e não tem a ver com cafeína, é amor mesmo, viu?). Por isso, fiquei bem animadinha quando verifiquei que havia uma filial da Ippodo em Nova Iorque. Programei uma degustação de cinco matchás de diferentes gradações e foi super legal. Os demais chás da marca, bem como os acessórios, estão todos à venda por lá.

KETTL – Outro cantinho encantado, especializado em chás japoneses. Há exemplares de chás de todas as regiões do Japão – inclusive oolongs e pretos, mais raros no país. Provei um Sencha dos deuses, uma infusão de soba (trigo sarraceno tostado), além do chocolate de matchá (Je-sus!), com soba crocantinho na massa. Os utensílios de cerâmica são dos mais lindos que já vi na vida. Fica no segundo andar, em cima de um restaurante japonês, meio escondidinho.

THE GRASSHOPPER – Surpresinha do Brooklyn, uma loja/café de pegada natureba. Por lá, há uma boa curadoria de Kombuchas e Suchás (tomei um da Matchabar que estava delicioso!), além de chás da In Pursuit of Tea, marca americana incrível.

TÉ COMPANY – Das melhores experiências que já tive nessa existência. Suspiro só de lembrar! A loja é conduzida por Elena, taiwanesa, e seu marido Fred, chef de cozinha português, que fazem do lugar um ambiente mágico e inesquecível. Marquei uma degustação com Elena, que é extremamente atenciosa e didática; os chás são nada menos do que incríveis e as comidinhas, um show à parte. Comi um Tea Egg sem explicação de bom, tâmaras recheadas com geleia de laranja e balsâmico, além de um cookie inspirado na tradicional tortinha taiwanesa de abacaxi, recheado com geleia da fruta. Os cinco chás oferecidos (dois Oolongs verdes, um Oriental Beauty, um Dong Ding e um Chá Preto) foram não menos formidáveis.

Na visão de André Alves: É um pequeno paraíso dos oolongs no West Village. Para alguns especialistas, Taiwan produz alguns dos melhores chás da atualidade. Além da qualidade, essa pequena casa de chás é especial pelo tom informal, acolhedor, atencioso, divertido. Toda vez que vou na Té, fico um bom tempo lendo os textos da carta de chás, tão simpáticos e elucidativos.Para mim, a maior qualidade da Té Company é esse olhar tão cuidadoso para o design; é a capacidade de oferecer senso de utilidade com elegância e sem detalhes desnecessários e, claro, com muito bom humor. Afinal, você não precisa ser técnico ou sério demais para falar de chás com seriedade.
ÉPICERIE BOULUD – Mercadinhos do grande chef de cozinha Daniel Boulud estão espalhados pela cidade. E neles, além de pastelaria, pães, chsrcuteria e saladas, ainda é possível encontrar um bom matchá latte e chás Damman e In Pursuit of Tea.

IN PURSUIT OF TEA – A convite de Gabrielle, a sommelière de chás do Hotel Baccarat, fui conhecer um pouco mais sobre chás nepaleses, prospectados por @inpursuitoftea, em um tasting room que a empresa acaba de abrir em Nova Iorque. Provei dois chás bem especiais, branco e preto, de características marcantes, deliciosos. No ambiente, a oportunidade de quem faz o chá acontecer há bons anos e tem um montão de experiência para compartilhar. Fique de olho nas redes sociais da marca, para acompanhar possíveis e futuras degustações.

SWEET MOMENT -Fui em busca do matchá latte decorado bem fofinho, mas não rolou. Segundo a atendente, as vendas do dia anterior foram acima da capacidade e não havia ingredientes disponíveis para o preparo até aquela hora. Mas [email protected] que é [email protected] não desiste e corripara uma segunda opção: uma sobremesa gigante, tipo um cheesecake, que mistura sorvete de matchá, doce de feijão, pobá, cereais, nessa montanha que vocês veem agora. Deliciosa!

CHA CHA MATCHA – Verde combina demais com rosa e a Cha Cha Matcha sabe tirar proveito disso. Há alguns anos, apresenta o meu verdinho preferido, o matchá, em várias versões – sorvete, gelado, chai – aos New Yorkers, em um ambiente super descolado, com música boa e loja moderninha, bem millenial, no Soho. É considerada uma das grandes responsáveis por disseminar o matchá pela cidade e por todo o país. Prove o nitro matcha, um matchá gelado a que adicionam nitrogênio, o que promete deixar a bebida mais cremosa, ressaltar a doçura, além de suavizar qualquer possível amargor. Os nitros são a nova febre da cidade!

Na visão de André Alves: Cha Cha Matcha é o expoente perfeito de uma juventude com um amplo repertório estético e que tem plena consciência de que estética e gosto são igualmente importantes para a percepção de sabor.O matcha gelado puro ou com limonada é delicioso, o matcha latte com leite de amêndoas também, e a nova linha de iced teas em lata é muito boa, além de embalagens excelentes. Pela perspectiva do consumo, é uma estratégia interessante para atrair novos consumidores para o chá. Do ponto de vista da tradição, é um jeito ousado e nada ortodoxo de falar de matcha. Nos dois ângulos, Cha Cha Matcha traz um elemento novo e muito poderoso para o universo do chá: a postura de marca de lifestyle, ou seja, uma proposta de que o chá pode ser uma bebida cool.
MATCHABAR – Surgido em 2014 como um café especializado em matchá, fez fama e hoje tem “braços” por todo o país, em suas garrafinhas de bebidas prontas, todas com o matchá, claro, saborosas e de qualidade.

HARNEY AND SONS – A marca americana existe desde 1983 e ocupa um espaço lindo do Soho. Por lá, uma infinidade de chás puros e blends autorais: a carta tem mais de 300 opções, acessórios moderninhos a clássicos e um tea tasting bar, onde você pode escolher um chá pra provar. Escolhemos dois chás pretos para nossa degustação – que é toda feita no padrão usado nas fábricas -, um Golden Monkey e um Amber Thieves Tea (tem uma história interessante relacionada a esse chá!). E o momento tornou a nossa experiência na loja ainda mais saborosa. Você vai encontrar os chás em milhões de lugares nos Estados Unidos, mas, se passar por lá, tenha tempo suficiente para não deixar de explorar as infinitas possibilidades oferecidas por John Harney e seus filhos Mike e Paul, os criadores desse universo.

T2 TEA– De origem australiana, a loja a que fui fica no Soho. E chama a atenção de longe, em cores e formas. Trabalha com chás puros e blends, em caixinhas encantadoras. Encontrei um chá preto do Quênia, em caixinhas únicas, feitas de colagens individualizadas – já achei fofo! Daí descobri que o lucro das vendas é direcionado para projetos educacionais de crianças órfãs do país. Pronto! Meu chazinho me escolheu.

TEA DRUNK – Para matar as saudades da China, marquei uma degustação de chás Na Tea Drunk, referência mundial em chás chineses. Mas o que tive não foi apenas uma degustação… Fiz uma outra viagem ao país! Conduzida por Shunan Teng, a fundadora da loja, passeei por cheiros, sabores, imagens e histórias, algumas conhecidas, outras bem novas, todas infindáveis. Foram três chás (verde, oolong e puerh), em incontáveis infusões, intercaladas com goles de chá oolong gelado. Saí de lá com um monte de conhecimento novo, verdades até então absolutas desconstruídas, além do sentimento de felicidade plena que os encontros com o chá são capazes de proporcionar. Experiência inesquecível!

Na visão de André Alves: No coração do East Village, a Tea Drunk é provavelmente uma das casas mais respeitadas do ocidente. pela elaborada carta de chás e pela Shunan Teng, criadora da Tea Drunk, grande referência no mundo do chá. Shunan combina um vasto repertório técnico e cultural, sabedoria que compartilha nos cursos e viagens guiadas que a casa oferece. Arriscaria dizer que qualquer chá aqui é uma boa pedida, especialmente se estiver só. Ou melhor, com um livro. Aqui você escolhe a profundidade da experiência que quer ter: descobrir mais sobre a cultura ou experimentar um novo sabor, o que torna a Tea Drunk tão especial é a possibilidade de viver a infinitude do chá.

SPIRITEA – A caminho de uma das minha degustações, encontrei a Spiritea, uma lojinha fofa demais, inaugurada há poucos dias, de origem chinesa, que oferece produtos diferenciados com o chá, como garrafas de cold brew e sobremesas. Escolhi um sorvete de chá escuro que, além de lindo, estava muito saboroso. Na massa, gosto bem presente de chá, além de uma farofinha, bolinhas de pobá e folhas de ouro. Tudo para agradar ao paladar e ficar bem instagramável, como a própria loja.
Na visão de André Alves: @spiriteadrinks oferece bebidas que estão na fronteira entre sobremesas e chás. O ponto alto é o fruitea, cheese teas com frutas. Nessa viagem decidi experimentar diferentes abordagens para o chá e, de acordo com algumas das pessoas com quem conversei, o Spiritea oferece chás nada ortodoxos mas de boa qualidade, sem falar na abordagem diferente de tudo que eu já tinha visto em Bubble Tea e Cheese Tea, mais refinada e claramente mais premium. O salão de chás (o espaço é realmente grande), por exemplo, combina uma vibe minimalista com cores pastéis que trazem uma certa elegância para o Spiritea. O espaço foi desenhado para enaltecer o processo de preparação do chá de forma elegante e, ao mesmo tempo, oferecer um lounge para que as pessoas possam relaxar e degustar um bom chá, afinal, a experiência visual tem que ser tão impecável quanto o gosto. As bebidas com leite, açúcar mascavo e bolinhas de geléia de colágeno têm uma textura cremosa muito interessante, e os cold brews são deliciosos. Ah, sim, e todas as embalagens são impecáveis. Spiritea é o que acontece quando a cultura oriental do chá se funde com as vibes millenials de NYC/LA.
29B TEAHOUSE – A loja estava na minha de lugares para se conhecer desde sempre. Pelo instagram, me apaixonava pelos chás e cerâmicas da loja, que tem um bom acervo de todo o mundo. De fato, loja linda, produtos incríveis. O atendimento, no entanto, deixou bem a desejar. A ideia, no início, era tomar um chá por lá, mas não me senti à vontade e reprogramei a rota para aproveitar dois chás coreanos ali comprados – preto e verde – no conforto de casa. Mas não se sinta desencorajado a visitar a loja pela minha experiência; ela é incrível e vale muito conhecer. Pense apenas que todos temos dias ruins e é possível que o moço não estivesse em um de seus melhores.

Na visão de André Alves: É uma das casas de chás mais elegantes e refinadas que já fui na vida. A pequena portinha na Avenue B guarda um espaço à altura da excelência dos chás, uma expressão muito contemporânea de uma casa de chás, um lugar que eleva a estética do chá e coloca o ato se preparar e servir no centro de tudo. O salão de chás foi criado por Stefen Ramirez e Shin Won-Yoon, também conhecidos como @teadealers , o e-commerce de chás cuja missão sempre foi trazer os melhores e mais puros chás para os EUA. Elegância não é parecer (ou cobrar) caro, elegância é ser tão atento aos detalhes que cada escolha faz sentido; das cerâmicas à carta de chás, tudo parece ter uma razão de ser. Inclusive os únicos quadros do estabelecimento, ambos pintados pelos donos. A sensibilidade estética de Ramirez e Won-Yoon se traduzem em pecas de teaware impecáveis, além em um layout surpreendente que coloca o visitante em um bar no lugar dos tradicionais tatames japoneses. Tomei um gongmei branco envelhecido maravilhoso, sem falar nos verdes coreanos que têm sido tão impressionantes. Se os chás são incríveis, os drinks também são um ponto alto. A cerveja de arroz com matcha e o drink de soju com puerh são maravilhosos. Resumindo, uma tarde nessa joia de Alphabet City é mais que essencial.
ALICE´S TEACUP – Uma casa de chás toda inspirada em “Alice no País das Maravilhas”, que amo. E nessa visita ainda encontrei a própria Alice! O ambiente faz mil referências à história. No banheiro, há um mural com os personagens adaptados e espelho que transforma você em “Gato que Ri”. Para o chá da tarde ou um simples chá, de acordo com sua vontade. De lá, com disposição para uma caminhada, ainda dá pra passear pelo Central Park e achar uma instalação também dedicada à obra de Lewis Carrol. Aí, pronto, o passeio por Wonderland estará completo!

BELLOCQ TEA ATELIER – A marca americana, que existe há 10 anos, começou com uma pop up store em Londres, que foi super bem aceita. A partir daí, os criadores amadureceram a ideia de uma loja física definitiva, estabelecida em Greenpoint, no Brooklyn, há 8 anos. O charmoso galpão abriga a loja e também o atelier, onde os blends próprios e feitos para outras marcas são criados (fazem para a Tiffany, por exemplo). O atendimento é impecável e o capricho não está apenas nos chás. Há acessórios bem especiais à venda, bem como livros referentes ao chá. Passeio imperdível.

Na visão de André Alves: A Bellocq é a queridinha das listas de lugares mais instagramáveis de NYC. O ateliê de chás dedica-se aos blends mais refinados e ousados. Para os criadores, é sobre o poder transformador do chá, missão que é materializada por mais de 50 blends originais, e pelas escolhas visuais tão apuradas que inclusive me fizeram descobrir o ateliê. Muitos ateliês de chás falam em combinações únicas e exclusivas, mas a lógica de colaborações pode ser um caminho poderoso para expandir os horizontes da marca. Minha edição preferida é o no. 50 Earl of Stonewall, um preto com bergamota, lavanda e camomila criado para celebrar os 50 anos da rebelião de Stonewall. As manifestações contra a violência policial em 1969 foram o evento histórico que revolucionou os direitos LGBTQ+ nos EUA e no mundo. Por isso, as vendas do no.50 são revertidas para uma ONG de apoio e educação da juventude LGBTQ+. É claro que tomar um chá que suporta a minha comunidade tem um sabor ainda mais especial. Esse olhar consciente também se traduz em chás orgânicos e de pequenos produtores, dos mais puros aos blends mais criativos. É um dos lugares mais interessantes que eu conheço no mundo dos chás hoje. Por isso, sempre recomendo a visita.
T SHOP – Muitas opções de chás da China, Taiwan e Coreia do Sul estão nessa loja que fica escondida dentro de uma galeria no Soho. Por lá, opções de degustações guiadas, degustação individual ou chá para levar pronto ou em porções. Um tesouro em um cantinho aparentemente simples, mas cheio de histórias para contar. Não se deixe levar pela aparência, sob o risco de subestimar todo o poder da T Shop. Quero voltar para provar a infusão de Magnólia!

MAMAN – Um cantinho afrancesado, com preciosidades em pastelaria – tipo croque “maman” (com trufas!), bolo de lavanda e o cookie favorito da Oprah (a mulher tem bom gosto mesmo, meodeos!) -, além de chás canadenses da Sloane Tea Merchants, kombuchas da BKE Kombuchas, Matchá Latte da Matchabar e chai cremosinho. Para arrematar a lindeza do momento, à medida em que bebia o chá, surgia um coelho branco no fundo da xícara, que também está à venda por lá. Mais uma fofura para sua lista de must go na cidade!

DAVIDs TEA – Se tem uma coisa que esta marca se origem canadense sabe fazer bem é explorar cores, aromas e sabores, tudo junto assim mesmo, em prateleiras, latas e acessórios. Impossível não se deixar encantar com tantas combinações que saltam aos olhos… E querer provar de tudo! Chás puros, blends, infusões, você escolhe o que mais lhe agrada. E também escolhe o acessório mais fofo para abraçar o chazinho do dia.

ROYCE´– Sou suspeita para dizer, mas tudo o que japonês se propõe a fazer, faz lindamente. Chocolates, por exemplo. Na Royce, encontrei exemplares com carinha oriental, da embalagem ao produto final, passando pelo atendimento. Tudo lindo, delicado e de-li-ci-o-so! Claro que o que me chamou a atenção foram os chocolates que levam chá verde na formulação. E para que os dias quentes em NY não derretam suas delícias cremosas, você já sai da loja com os chocolates numa sacolinha preparada com gelo. Japão, né, amores. Omotenashi em grau mil!

RADIANCE TEA HOUSE AND BOOKS – China raiz, temos por aqui. O cantinho que mais se parece com as experiências chazísticas chinesas que vivi no Tour Cha Yê. Cardápio de chás bem diversificado e livros, muitos livros, sobre chás e cultura oriental. Uma perdição!

KUSMI TEA – São anos de história, da Rússia à França, passando pela Inglaterra. E mesmo sendo uma velha conhecida, a marca sempre me surpreende. Dessa vez, fui à loja do The Plaza Hotel, namorar as infusões da Løv, e caí de amores por um blend feito pelo grande chef de cozinha Alain Ducasse para o aniversário de 150 anos da Kusmi, que leva chá branco, rosas e amoras, em embalagem delicada como esse chá.


BACCARAT HOTEL – Um chá da tarde perfeito. Lugar elegante, mas ao mesmo tempo acolhedor; quitutes sejam finos e bonitos, com aquele sabor inesquecível; boa seleção de chás; serviço atento e correto, sem ser intimidador. Encontrei tudo isso no chá da tarde do Baccarat Hotel de Nova Iorque. E rapidamente descobri o motivo: por trás de tudo, há uma sommelière de chás estudiosa e atenta, a querida Gabrielle. Em seus planos está a reformulação do cardápio de chás – que já é completo, mas que passará a contar com 40 opções. Ela também promove eventos de degustação incríveis por lá, de chás e chocolates, por exemplo.

THE BLUE BOX CAFÉ – Não é fácil conseguir uma reserva no café que fica no quarto andar da icônica joalheria Tiffany, na Quinta Avenida. Os intervalos disponíveis abrem 30 dias antes da data pretendida, às 9h da manhã, no aplicativo Resy, e se esgotam em minutos. Depois disso, é contar com a sorte em desistências, já deixando o alerta programado no aplicativo, uma luta. Quanto ao chá da tarde, nada incrivelmente surpreendente em termos de comida, mas adorei a experiência de ter meu “Breakfast at Tiffany’s” na loja (tive mais sorte que Audrey, de acordo com o recepcionista!) e por poder tomar o blend desenvolvido pela Bellocq para a marca (chá preto chinês, rosas, lavanda e baunilha, suave, delicado e perfumado, bem adequado, por sinal!). Sobre o chá: a latinha está a venda no café por 40 dólares e na loja só é vendido em um kit, com duas canecas, por 175 dólares. Item de colecionador, de chás e momentos! 🙂

TEAK TEAROOM – Corremos do calor para pegar um arzinho no shopping em frente ao The Vessel e encontramos essa casa de chás. Aproveitamos e almoçamos ali mesmo, toasts leves e saudáveis, com um genmaicha correto e delicioso!

RALPH CAFÉ – A Ralph Lauren, marca de roupas, tem seu próprio café. E neste café, há um blend de chás pretos feito especialmente para a marca pela Harney and Sons, o Ralph’s American Breakfast, um brincadeira com o tradicional English Breakfast. Tudo para viagem!

PUERH BROOKLYN, POR ANDRÉ ALVES: Para mim, a @puerhbrooklyn é um dos melhores lugares de NY para conhecer todas as nuances e sutilezas dos puerhs, afinal não é qualquer casa de chás que oferece mais de 20 variedades de puerhs em sua carta. Logo na entrada, diversas peças de teaware e um respeitável balcão com todos os chás servidos pela casa. Já no andar de baixo, uma suntuosa galeria oferece um belo espaço para tomar chá e, algumas vezes ao ano, visitar exposições de arte, moda e design. É interessante que, apesar das claras influências chinesas, a Puerh Brooklyn me lembra muito de alguns lugares de chás de Berlim, especialmente pela mistura com o universo da arte.

Considerando que puerhs e escuros são tipos de chás de apresentação mais refinada, faz todo sentido ter os “cakes” e discos de puerh em uma galeria. Além da proposta mais artística, o espaços também oferece o que poucos lugares conseguem ter em NY: silêncio. O pé-direito alto aliado ao fato do lounge ficar nos fundos da loja acaba criando uma atmosfera mais calma e intimista, raríssima no agito dessa cidade tão intensa.Essa calma talvez seja uma forma de abrir os sentidos para experimentação e aprendizado, já que há uma clara preocupação em promover a cultura do chá como um todo. Diversas cerâmicas, utensílios e livros inclusive fazem parte da curadoria dos donos. Se chás escuros são um gosto mais refinado, a Puerh Brooklyn é o lugar para descobrir e apreciar puerhs com toda a tranquilidade e naturalidade que o chá merece.

FLOATING MOUNTAIN, POR ANDRÉ ALVES: De todas as pessoas do universo do chá que já entrevistei, Elina Medvedeva é, sem dúvida, uma das mais interessantes e misteriosas. Elina nasceu e cresceu na Rússia e mudou-se para NY em 2004. Ela é a criadora da Floating Mountain, um oasis te tranquilidade escondido na West 72nd Street. A casa de chás nasceu quando Elina decidiu “criar algo que acabasse com minhas desculpas para não ser feliz. sentia que meu trabalho no mercado financeiro era contraditório com a minha então nova filosofia yogi”. Esse propósito se traduziu em um lugar que transmite serenidade com uma boa dose de minimalismo budista (e ares de galerias nova-iorquinas): simplicidade e funcionalidade. Tatames, um lindo balcão de madeira, chás e plantas — nada mais que o essencial. Sem falar nas janelas imensas que proporcionam uma belíssima luz. Claro que no dia em que eu fui o tempo estava chuvoso e cinzento. Azar? Ironicamente essa visita aconteceu no dia da viagem em que eu mais precisava de introspecção.

Como as “montanhas flutuantes”, templos chineses no topo de montanhas de mais de 2 mil metros, o chá faz o tempo parar. E a floating mountain faz pensar nesse poder e nessa infinitude de forma tão despretensiosa. É um tributo à simplicidade em uma cidade que transborda caos.

THE HIDEOUT CHAI BAR, POR ANDRÉ ALVES: Com pouco mais de 2 anos de existência, o @thehideoutchai é uma experiência de minimalismo e essencialidade no Lower East Side. É fácil confundir o espaço com uma galeria de arte, pelas linhas retas, pela presença apenas dos elementos visuais necessários, pelo silêncio. De acordo com o fundador, Chris, o Hideout é um lugar para explorar todo o potencial do chá: “há tanto a fazer com o chá, basicamente qualquer coisa que você queira fazer; aqui divido um pouco dessas criações com as pessoas.”O foco é o chai, uma bela receita com leite de aveia ou de amêndoas que tem o equilíbrio perfeito entre a textura cremosa e o gosto de especiarias. Passei horas tentando entender a quantidade de canela que vai na receita. Mas os blends de earl grey e de menta marroquina são igualmente especiais.

O Hideout é um daqueles lugares de elegância supostamente despretensiosa que tornam NY tão especial. Ironicamente, a inspiração para criar o espaço veio do @samovar, casa de chás em São Francisco que inclusive fornece as folhas para o Hideout.

McNULTY’S, POR ANDRÉ ALVES: uma das lojas de chás mais antigas dos EUA, a McNulty’s Tea & Coffee existe desde 1985. É como entrar na central de uma cia de chás que viajava o mundo em busca de novos sabores no tempo das navegações. É ficar maravilhado com a variedade de aromas guardados em vidros que lembram apotecas; nos dias com mais vento, dá pra sentir a variedade de notas aromáticas da esquina.Conversando com o Brian, o simpático tea expert que trabalhar na loja, entendi que os new yorkers sempre foram fãs de chás de folhas soltas e que, nos últimos anos, os oolongs e verdes têm feito mais sucesso que os blends florais. Localizada no coração de Greenwich Village, a McNulty’s é um daqueles lugares mágicos que fazem o tempo parar e tudo ganhar um ritmo mais calmo, como um grande tributo à longevidade.


E logo também virá o relato de lugares bem legais que encontrei em Hudson Valley, uma região próxima à cidade de Nova Iorque, onde há um conjunto de cidades bem simpáticas, com lugares fofos para chá. Por lá, também visitei o atelier de Ruby Silvious, que pinta em saquinhos usados de chá (!!!!) e de quem sou mega fã. Aguarde por fortes emoções!
Até lá, nos vemos nas redes sociais , onde estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face). Passa lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?
Beijos com gosto de mundo! 🙂

Especialista em chás

Se tiver chá, lá ela estará! Apaixonada pelo mundo dos chás e tudo o que com ele se relaciona, de porcelana a livros, de lugares a receitas, de comidinhas a experiências. Acredita que a xícara perfeita é capaz de criar momentos mágicos; a eles se entrega com toda a sua verdade... E eterna curiosidade! Especialista em chás e tea blender por paixão, servidora pública por profissão. Em Brasília/DF.