Chá amarelo, ele reluz e é (quase) ouro

amarelo

Gente é bicho engraçado mesmo. Nesses dias de chuva, não conseguimos tirar nossos pensamentos do sol quente, dos raios dourados do recente mês de férias de verão. E logo que ela passa, imploramos por mais água caindo do céu. Estamos aqui, pensando lá. E nessa agonia, esquecemos de viver o momento…

Divagações à parte, enquanto a chuva não dá uma trégua, que tal pensarmos em uma maneira diferente de aproveitar o tempo fechadinhos em casa? Para essa semana, escolhi o amarelo ou dourado, já que tanto o desejamos… Mas não é o sol! Vamos conversar sobre mais uma das variedades de chá, que vem da nossa amiga Camellia Sinensis; vamos conhecer para, logo, viver e degustar o #momentomágico! Porque só uma coisa é melhor do que falar de chá… Provar chá! 🙂

O chá amarelo é cheio de divergências. Alguns estudiosos acham que ele não está com essa bola toda para se garantir como “variedade”. Para estes, em verdade, o chá amarelo seria apenas um subtipo de chá verde, processado do mesmo modo, com o acréscimo de apenas uma etapa: depois da oxidação fixada, é embrulhado ou empilhado em camadas enquanto ainda morno e úmido, o que contribui para sua coloração amarelada característica, consequência de uma fermentação – processo externo mesmo -, não enzimática.

No entanto, para outros tantos, o chá amarelo é, sim, uma das variedades dos chás da Camellia, com direito a classificação própria. E eu boto fé na classificação! Ele é um chá tão lindo, tão cheio de nuances, que só poderia mesmo ser único e nominado individualmente. Pense comigo: não é porque vim dos meus pais, com algumas de suas características ou de outros familiares, que vou repetir histórias. Sou única e diferente, pronta pra escrever novos caminhos, concorda? Vamos sair por aí, anunciando que #somostodoschásamarelos! 😉

Mas deixando a graça de lado e voltando ao nosso assunto principal e predileto, precisamos saber que este chá é produzido em pequena quantidade na China, nas montanhas das províncias de Anhui, Sichuan, Zhejiang e Hunan. Admirado desde a dinastia Tang, consumido por imperadores que usavam amarelo, exclusivamente, hoje tem produção destinada essencialmente ao consumo interno. Só há bem pouco tempo é que a Europa se atentou para sua importância e passou a importá-lo, em pequenas quantidades.

É raro (e caro, como não?), difícil de se encontrar, com características bem variadas: doçura de chá branco, sabor vegetal de chá verde, aroma intenso de oolong, final delicado de chá preto. Adstringência quase nula. A família toda dos chás em um único ser, que tal? É multichá, completo e delicioso, misterioso e raro. Nessa categoria encontram-se o Jun Shan Yin Zhen e Meng Ding Huang Cha, por exemplo.

 

Vale a pena provar quando topar com ele pela vida! E você vai se lembrar de mim. Não deixe de me contar, tá?

Ah, se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook , costumo postar umas imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face) . Te espero lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo? 🙂

Beijos e bons chazinhos!

Especialista em chás

Se tiver chá, lá ela estará! Apaixonada pelo mundo dos chás e tudo o que com ele se relaciona, de porcelana a livros, de lugares a receitas, de comidinhas a experiências. Acredita que a xícara perfeita é capaz de criar momentos mágicos; a eles se entrega com toda a sua verdade... E eterna curiosidade! Especialista em chás e tea blender por paixão, servidora pública por profissão. Em Brasília/DF.

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