Cerâmica de Cunha: você precisa conhecer

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Cunha, uma cidade do interior de São Paulo próxima a Paraty, é conhecida como a capital da cerâmica.

Tudo começou com imigrantes japoneses que se estabeleceram no local em 1975 e implementaram a cultura nipônica na cidade. Entre os dotes compartilhados, a arte de fazer cerâmica, transmitida por gerações, com direito a forno Noborigama para a queima das peças – hoje são seis na cidade! -, e acontecimentos festivos ocasionais para sua abertura.

A argila retirada da região também é considerada especial, perfeita para ser esculpida. Aliada às técnicas de esmaltação desenvolvidas, resulta em cada peça… Ai, ai!

Como boa chazeira que adora enfeitar o #momentomágico, programei, em outubro do ano passado, uma visita a Cunha, na época do 12o. Festival de Cerâmica. Que bela surpresa! Peças incríveis em cada cantinho, aulas de cultura e produção, dias inesquecíveis por lá. Para que você se anime a conhecer nosso rico país, separei lugares e ceramistas que você pre-ci-sa conhecer! Vamos a eles?

1. Atelier Mieko e MárioEm 1975, os artistas Toshiyuki, Mieko Ukeseki e Alberto Cidraes uniram-se para montar um atelier de cerâmica. Para isso, construiram no antigo matadouro municipal, o primeiro forno a lenha, tipo Noborigama e, a partir daí fizeram história e discípulos.

Hoje, no atelier, as peças são desenvolvidas por Mieko e Mário Konishi, em um lugar de paz indescritível.

O forno está lá, em pleno funcionamento, e as peças são de uma beleza simples e muito elegante.

2. Galeria Quinta Essência – Instalada em um casarão no centro da cidade, pertinho do mercado municipal, fica a Galeria Quinta Essência.

Representa e reúne obra de alguns artistas da cidade, como Marcelo Tokai e Juliane Sakurada, e, eventualmente, de fora. Quando conheci o lugar, havia uma exposição de utilitários de Kimi Nii, artista plástica que amo, nascida em Hiroshima. Olha a sorte!

3. Suenaga e Jardineiro – Kimiko Suenaga, nascida em Yokohama, e Gilberto Jardineiro, paulistano, são os responsáveis por esse Atelier de tirar o fôlego. Vá preparado para não saber para onde olhar primeiro: em cada canto, peças bem japonesas brilham, de vasos a utilitários (os jogos de chá, imagina!).

Com alguma sorte – eu tive! -, você ainda encontra a artista Kimiko trabalhando por lá e emenda uma boa conversa sobre seu trabalho encantador. Há peças que levam até cinzas de casca de arroz no processo de vitrificação.

4. Oficina de Cerâmica Augusto Campos e Leí Galvão – Se você se interessa pelo “modo de fazer” das coisas e quer ver a criação das peças a partir da argila, este é o lugar. Os artistas, nascidos em Cunha, investiram na construção de um forno Noborigama em 1999 e, recentemente, inauguraram um espaço para exposições.

5. Casa do Artesão – Se você não tem muito tempo para visitar vários ateliês e quer conhecer o máximo possível de artistas, vá à Casa do Artesão. Criada em 1988, no espaço onde funcionou o primeiro atelier de cerâmica da cidade, expõe não apenas os trabalhos em cerâmica, mas todo tipo de artesanato regional, como pintura, esculturas, bordados, doces, compotas e mel.

Comprei um kyusu do artista Rogério Poteiro, de cerâmica e madeira, que arranca suspiros dos convidados quando usado!

6. Santo Bule – Monike Mar é a jornalista que se tornou ceramista. Após se mudar do Rio de Janeiro para a cidade, foi absorvida pela cultura de Cunha. Agora, desenvolve um trabalho bem único e autoral, especialmente em bules. Essa semana, postei um de seus trabalhos no instagram @chazeira – que namorava há tempos – e a foto “quebrou a internet”. As peças são lindas e delicadas, com muita personalidade. E se você quiser saber sobre a Santo Bule tem matéria linda na Revista Casa e Jardim de junho de 2019.

7. Carol Tsai – A busca de um vida mais tranquila para si e para o filho Linus levou a artista Carol Tsai para Cunha. Descendente de taiwaneses e representante da nova geração de artistas de Cunha, encontrou-se na cerâmica e, em junho, abriu sua própria lojinha-atelier, super charmosa. Suas peças, em cores diferenciadas, são minimalistas e atemporais; os bules e gaiwans são lindos!

O Festival de Cunha é, de fato, a melhor época para se conhecer a cidade, e a abertura de forno é um evento muito legal! Mas qualquer hora é hora, uma cidade que vive a cerâmica assim, pertinho de você, imagina!

Por fim, você ainda adquire peças lindas demais, com DNA nacional, para tornar seu #momentomágico podre de charmoso e inesquecível.

Ah, se quiser me acompanhar pelo Instagram ou Facebook , lá estão as imagens que ilustram na prática tudo o que falamos por aqui – inclusive com peças de Cunha! -, feitas a partir do meu #momentomágico: @chazeira (insta) ou @eloinachazeira (face). Passa lá, pra não morrermos de saudade até a próxima quinta, certo?

Beijos e bons chazinhos! Naquele bule especial tudo fica ainda mais gostoso! 🙂

Especialista em chás

Se tiver chá, lá ela estará! Apaixonada pelo mundo dos chás e tudo o que com ele se relaciona, de porcelana a livros, de lugares a receitas, de comidinhas a experiências. Acredita que a xícara perfeita é capaz de criar momentos mágicos; a eles se entrega com toda a sua verdade... E eterna curiosidade! Especialista em chás e tea blender por paixão, servidora pública por profissão. Em Brasília/DF.

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