Casa Paladino: sanduíches honestos

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O Centro do Rio é o sal da terra. É de onde viemos e para onde sempre retornamos. É a lembrança, guardada em algum lugar profundo, de caminhar de mãos dadas com minha mãe por ruas tão movimentadas, para sempre me deslumbrar com a imponência do prédio de seu trabalho, a antiga agência Centro do Banco do Brasil, na rua Primeiro de Março.

Anos depois, o Centro transforma-se. Passa a ser o local de descobertas quando, já adolescente, começo a explorá-lo sozinho. O triângulo entre Central do Brasil, Cinelândia e Praça Mauá vira meu também, parte da história pessoal que construo até hoje. Jamais esquecerei a sensação de tomar o metrô e emergir no Largo da Carioca, com sua mistura grandiloquente de edifícios modernos e monumentos antigos como a vida.

Mais velho, começo a trabalhar no escritório da ONU no antigo Palácio Itamaraty e passo a explorar a rua Marechal Floriano e seus arredores, onde muitas vezes me deslumbro com um mundo parado no tempo. Ali, em meio a casarões seculares, respira-se uma sensação de decadência, alimentada por um passado elegante que já não voltará mais.

Mas, em plena Marechal Floriano, um lugar se recusa a aceitar esse destino e continua mais atual e vibrante do que nunca. Desde 1906, a Casa Paladino faz as vezes de delicatessen (com uma cara de velho estabelecimento de secos e molhados) e restaurante, alimentando gerações de cariocas com seu cardápio tradicional e pouco afeito a grandes inovações.

Em meio a elegantes cristaleiras, a Casa Paladino serve honestos sanduíches e fritadas a uma clientela fiel. Meu favorito é o clássico sanduíche triplo, composto de presunto, queijo provolone e ovo frito no pão francês. Os mais ousados podem inclusive substituir o presunto por salame, combinação que também muito me agrada. No quesito fritadas, a de bacalhau é, sem dúvida, a mais popular.

Bem de acordo à tradição carioca, toma-se chope na Casa Paladino. E este é servido com agilidade, na temperatura correta, como sempre foi. Sinal de que algumas coisas, felizmente, não perderam o brilho na rua Marechal Floriano e arredores.

AVALIAÇÃO

Comida: 7/10
Ambiente: 8/10
Serviço: 8/10
Carta de vinhos: Há vinhos na delicatessen, mas eu, se fosse você, pediria um chope.
Preços: Médios.

Dica extra: Para quem ficou curioso sobre o prédio imponente que menciono no início do texto, explico que trata-se atualmente do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB). É o mais bonito do País, sem a menor sombra de dúvidas, e vale a visita.

CASA PALADINO
Rua Uruguaiana 224
Centro – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2263-2094

Jornalista, carioca e tricolor

Jornalista, carioca e tricolor. Gasta certamente mais do que deveria em restaurantes e vinhos e hoje em dia só viaja para conhecer novos pratos e sabores. Considera-se um gourmet "clínica-geral": frequenta botecos de má fama do Centro do Rio com a mesma paixão que sente ao entrar num três estrelas Michelin. Apesar disso, não consegue esconder uma mal disfarçada predileção por lugares clássicos, com história, pátina e estrada. Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trabalhou em algumas das principais redações do País, como Gazeta Mercantil, O Estado de S.Paulo e O Globo. Além do Rio, já morou em São Paulo, Buenos Aires (onde foi correspondente do Globo) e Brasília. Hoje é sócio-diretor da FSB Comunicação, a maior empresa de Comunicação Corporativa do Brasil.

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