Café, de coisa do diabo a criação divina

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Em se tratando de alimentos, torna-se difícil precisar como alguns deles foram descobertos ou passaram a ser consumidos. Talvez por isso existam tantas histórias míticas e lendas a respeito de certos ingredientes. Do café, por exemplo, sabe-se que surgiu na Abissínia (ou Império Etíope, hoje os territórios de Etiópia e Eritreia), lá pelo século 9.

Perdem-se no tempo as referências à existência da bebida, mas há na África uma história que “explicaria” sua origem. Conta-se que um guardador de cabras, chamado Kaldi, percebeu que seus animais, após ingerirem as frutinhas vermelhas de uma planta desconhecida, ficaram muito agitados. Curioso, resolveu experimentar ele mesmo. Ao comê-las, sentiu-se leve e vigoroso.

Quando soube do episódio, o abade de um mosteiro nas proximidades detectou ali artimanha do demônio. Pegou então as frutinhas e atirou-as ao fogo. Foi então que se desprendeu das chamas um aroma tão agradável que deixou todos em volta fascinados. Inclusive o abade, que no mesmo instante mudou de ideia e passou a ver a planta como uma criação divina.
Interessante é que no início o café era apenas comido. Diz a história que no século 10, as tribos nômades misturavam-no a gordura animal em pequenos bolos, e era fascinadas pelo efeito estimulante da comida. O consumo do café na forma líquida só começou a se popularizar no século 16, quando era posto de molho em água fria. Os árabes foi quem se deram conta de que fervido em água era muito melhor.

Aliás, as bagas vermelhas do café também despertaram fascínio e medo entre os árabes. Alguns deles consideravam as propriedades da bebida contrárias às leis do profeta Maomé (!).

Alguns historiadores apontam que o café atrasou a industrialização no Brasil. Outros pensam que o capital adquirido com o café foi fundamental para impulsionar a industrialização. Getúlio chegou a ordenar a queima de 80 milhões de sacas de café em função da crise de 1929.

Neste link, você  conhecer 30 curiosidades sobre o café.

 

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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