Brasil em mesa e chá

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Recentemente, estive em minha segunda incursão no mundo dos chás brasileiros. Na Rota do Chá, promovida pela querida Renata Acácia – a @infusorina! -, com o apoio da Escola de Chá Embahú, da minha Mestra @yuri.hayashi, visitei famílias tradicionais da cidade de Registro, interior de São Paulo, que, heroicamente, produzem chás de qualidade, em meio a muito trabalho e luta.

Foto: Sarah Anne

Não sei se você sabe, mas a história brasileira do chá é até antiga e se mistura à história da imigração japonesa, especialmente na região do Vale do Ribeira.
Famílias que se instalaram na região desenvolveram uma produção de chás com terroir nacional que, em ciclos de vitórias e derrotas, resiste, por mãos e mentes dessa gente nipobrasileira que não desiste.

É lindo ver de pertinho o engajamento da família Amaya nesse processo; mesmo trabalhando com chás na região de forma pioneira, ela segue se reinventado em novos produtos, mantendo a história viva e conservando o patrimônio histórico que conta essa linda história (olha esse casarão!).

É encantador conhecer a delicadeza da família Yamamaru, que faz chá verde agroecológico, em meio à Mata Atlântica, sob a sombra de palmeiras, de forma respeitosa e delicada, sem esquecer os princípios que devem nortear esse caminho.

É emocionante sentir a vida que pulsa no sítio da família Shimada, que, mesmo no meio de incertezas de mercado, recuperou chazais e, hoje, distribui afeto de avó em pacotinhos de chá.

A história me inspira. O trabalho me inspira. O produto me inspira. As pessoas me inspiram. E essa inspiração se transformou em um chá da tarde bem especial.

Foto: Tamara Tavares

Na tarde desta última quinta-feira, dia 05/12, o design de chá brasileiro se uniu ao mobiliário de design nacional. À mesa do Arquivo Contemporâneo, loja especializada em móveis e objetos desenhados por artistas do nosso país, o chá de Registro conquistou paladares e corações, em encontro enfeitado por sabores regionais. Brasileiros, claro.

Neste encontro orquestrado por Tiago Caetano, batemos um papo animado sobre a história do chá a partir de sua origem; percorremos o caminho até sua chegada no Ocidente; conhecemos um pouquinho da etiqueta inglesa do chá. E então chegamos ao Brasil para desconstruir qualquer conceito. A partir de nossa história, sabores e costumes, construímos um chá da tarde do nosso jeito, com os nossos produtos e gostos bem regionais.

Foto: Tamara Tavares

Um drinque de boas-vindas, espumante com gelo de chá preto Amaya e flor de macela, foi servido aos convidados pela sommelière Cláudia Oliveira. Um blend de chá preto, mate e menta, da Matequero, empresa do Rio Grande do Sul, geladinho, preparou o paladar de quem chegava.

Foto: Tiago Caetano

Nas mesas detalhadamente compostas pelo talentoso arquiteto Hélio Albuquerque, havia porcelana brasileira, antiga e contemporânea, pronta a encantar e receber os especiais chás verde do Sítio Yamamaru e preto do Sítio Shimada, servidos quentes, em sua melhor roupagem.

As delícias servidas ficaram a cargo de Lalé Café e Doceria, que desenvolveu os sanduichinhos, pães de queijo, bolos, rabanadas e docinhos, com aquele sabor de memória afetiva (um bolo de queijo e goiabada me transportou imediatamente à casa da avó!).

Também tivemos os sensacionais pães de fermentação natural do Civitá Cafés Especiais, de pequi ((❤)) e cacau com castanhas; queijo Canastra do Teta Cheese Bar; geleias baianas presentes de Daniel Mangabeira, de cacau e tamarindo. Tudo assim, misturado mesmo, para construir um chá da tarde com a nossa cara bem brasileira.

Para encerrar a tarde/noite, foi servido um sorvete de chá oolong da Amaya com nibs de cacau amazônico, feito pela Sorbê Sorvetes Artesanais, a partir de uma ideia de Cláudio Brisighello. Uma delícia gelada, para também desconstruir a apresentação do chá em sua forma tradicional.

Foto: Tamara Tavares e Jamille Barreto

Tivemos sorteios de exemplares de chás de cada família e também de um blend Matequero. E a loja online da Infusorina ainda disponibilizou cupom de desconto para a linha de chás brasileiros (CHANOARQUIVO, usa lá!).

E como estamos falando de final de ano, temos que ter borbulhas… Mas nada de champagne! Os convidados levaram para casa os kombuchas do Civitá, feitos a partir de chás brasileiros da Amaya, para que 2020 seja borbulhante em boas ideias.

Foto: Jamille Barreto

Foi um encontro tão especial e cheio de significado que, até agora, não consigo descrever tudo o que senti. Trazer à tona a nossa história, fazendo cada detalhe do nosso jeito, com a parceria de tantas pessoas que admiro, tornou o final de ano muito, muito inesquecível. Falar sobre a caminhada do chá no mundo fez-me refletir sobre a minha própria caminhada até aqui, sobre tudo o que plantamos e colhemos juntos no Gastronomix, sobre o quanto ainda temos a viver, aqui e no mundo.

Que o próximo ano seja de encontros divertidos, mesa farta, novos sabores; que a gente se valorize e também a nossa história; que os dias sejam de luta, sim, mas de grandes vitórias. E que a gente acredite nesse aroma de bons chás que os novos ventos trazem.

Nos vemos no ano que vem, com mais chás, mais vida, mais histórias!

Uma coleção de beijos de chá!

Feliz hoje. E em 2020.

Especialista em chás

Se tiver chá, lá ela estará! Apaixonada pelo mundo dos chás e tudo o que com ele se relaciona, de porcelana a livros, de lugares a receitas, de comidinhas a experiências. Acredita que a xícara perfeita é capaz de criar momentos mágicos; a eles se entrega com toda a sua verdade... E eterna curiosidade! Especialista em chás e tea blender por paixão, servidora pública por profissão. Em Brasília/DF.

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