Bodega Garzón, um universo a ser explorado

Bodega Garzón / Foto: Divulgação

A Bodega Garzón, do Uruguai, marcou presença na ProWein 2019, maior feira de vinhos do mundo, entre os dias 17 e 19 de março, em Düsseldorf, na Alemanha. O objetivo era atrair a atenção de 61 mil visitantes, de 142 nacionalidades, para os 19 rótulos produzidos pela vinícola. Enfrentou uma acirrada disputa com outros 6.900 produtores de vinhos de 64 países que para lá foram em busca de ampliar o alcance de seus produtos.

Em um evento de proporções gigantescas, a Garzón pode parecer pequena. Mas qualquer impressão nesse sentido se desfaz quando se conhece em mais detalhes o projeto erguido pelo bilionário argentino Alejandro Bulgheroni em uma propriedade de 1.500 hectares, adquirida por ele em 2006, no departamento de Maldonado, Uruguai.

A bodega vista do alto: verde até no teto

Não por acaso. A Bodega Garzón impressiona por vários motivos. O mais evidente é a suntuosidade da sede. O prédio de concreto de 19.050 m² combina arquitetura arrojada e princípios de sustentabilidade, utilizando energia eólica e fotovoltaica e completamente integrada ao ambiente natural — a Garzón é a primeira bodega sustentável fora da América do Norte com certificação LEED (Leadership in Energy & Environmental Design).

Saiba mais sobre o passeio pela Bodega Garzón

Desbancando a tradição
O segundo ponto a chamar a atenção é a rapidez com que Garzón vem se impondo no mercado de vinho. Quando comprou a propriedade, Bulgheroni chegou a pensar em criar ali um parque de energia eólica. Mas sua mulher e parceira de negócios, Bettina, achou que seria um pecado cobrir a bela paisagem do vale com aerogeradores. Veio então a ideia de produzir vinhos — o argentino fez fortuna no petróleo, mas já tinha sociedade com Carlos Pulenta na Vistalba, em Mendoza.

Pulenta indicou ao empresário o enólogo italiano Alberto Antonini. Em visita ao local, Antonini sugeriu começarem uma experiência, cultivando vinhedos em cinco hectares de terra. “Eu não tenho tempo a perder com experiências”, reagiu Bulgheroni. Ficou então decidido que a plantação ocuparia 200 hectares. Em 2008, teve início a produção.

Funcionários trabalham na seleção de uvas merlot

Somente em 2016 a Bodega Garzón foi aberta oficialmente ao público. Mais dois anos, e já levava o título de Melhor Vinícola do Novo Mundo em 2018, dado pela revista americana Wine Enthusiast. Um título que não deve ser subestimado, considerando que a premiação engloba vinícolas dos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Uruguai, Nova Zelândia, Argentina, Chile, África do Sul e Brasil, uma boa parte com muito mais tradição.

Notoriedade com qualidade
Evidentemente, nem todo o dinheiro de Alejandro Bulgheroni seria capaz de dar à Bodega Garzón o prestígio obtido até agora se não fosse a qualidade dos vinhos produzidos a partir das 12 castas de uvas, tintas e brancas, cultivadas naqueles 220 hectares de terra. Os 2 milhões de quilos de uvas processados anualmente na vinícola deram origem até agora a 19 rótulos, numa média de dois novos por ano. E aí mais uma razão para se impressionar.

São preciosidades como o Balasto, espécie de símbolo da vinícola que, entre outros prêmios, levou o Critics’ Choice Award da revista Wine Spectator, em 2015, e recebeu 96 pontos no Guia Descorchados 2018/2019. Ou o Tannat 2013, que encantou a influente crítica Julia Harding, “A palavra que Antonini mais usou para descrever os vinhos que está fazendo foi ‘energia’. Entendo, mas não transmite totalmente a elegância seca e fria do Bodega Garzón Tannat 2013”, escreveu.

Vinhos da Garzón: prêmios e altas avaliações dos críticos

Os dois últimos anos, aliás, foram a consagração da Bodega Garzón perante os críticos. Nenhum vinho da vinícola recebeu pontuação abaixo de 90 em avaliações de Wine&SpiritsJames Suckling, Descorchados, Wine Spectator, Robert ParkerAdega e Marcelo Copello. Também foram para o currículo da companhia premiações no Decanter World Wine Awards (edições Canadá e Ásia), no Sélections Mondiales Des Vins Canadá, no Sakura Japan Women’s Wine Awards…

Por essas e outras, a Bodega Garzón até podia aparecer como um pequeno ponto no grande mar de vinho que costuma ser a megafeira alemã ProWein, mas, certamente, nem todos os concorrentes tinham argumentos tão sólidos e convincentes para vender seus produtos quanto a vinícola de Alejandro Bulgheroni.

Saiba mais sobre a produção e os vinhos da Garzón

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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