Baixaria à mesa só se for à moda do Acre

Baixaria_Casa Tucupi-Divulgação

Baixaria é, na maior parte do Brasil, sinônimo de barraco, bate-boca, confusão, arenga. No Acre, é também nome de comida. A baixaria acreana é simples: num prato, vêm cuscuz, carne moída temperada a gosto, cheiro verde e tomate picadinho e, por cima, um ovo frito de gema mole. Para comer, os acreanos desfazem o arrumadinho e misturam tudo.

Apesar da simplicidade, a baixaria faz tremendo sucesso entre os frequentadores assíduos e turistas que visitam o Mercado do Bosque, em Rio Branco. Como o espaço funciona 24 horas, de domingo a domingo, virou uma tradição local as pessoas passarem por lá depois da balada, em plena madrugada, para matar a fome com a receita.

O Mercado do Bosque, onde teve origem a baixaria, foi reinaugurado em 2016

A baixaria acreana também é muito consumida como café da manhã. Os rio-branquenses garantem que dá uma energia danada e que, com um desjejum desse, você não vai ter fome pro almoço, só lembrará de comer lá para o finalzinho da tarde. Em matéria do G1, a empresária Antônia Pereira, a Toinha do Mercado, calcula que o prato tem “mais de 1900 calorias” (!).

Interessante é que a história da baixaria nem é tão antiga assim. O nome pegou nos anos 1980 e um dos principais responsáveis foi o jornalista, radialista e produtor cultural Wilson Barros, que começou a comentar sobre a novidade em seus programas de rádio e TV. Wilson morreu em 2013 e deixou um enigma: quem, afinal, batizou o baixaria de baixaria? E por quê?

De Rio Branco para São Paulo. Em 2018, na capital paulista, a baixaria ganhou versão light no Casa Tucupi, em Vila Mariana. A proprietária, Amanda Vasconcelos (acreana), criou uma variação vegana do prato, com cuscuz marroquino, shimeji salteado, banana frita, salada de tomate e cebolinha. Deu o nome de santidade.

Mas, é claro, no Casa Tucupi também se come a baixaria tal e qual é servida no Mercado do Bosque (na foto lá do alto deste post). Com toda a sustança a que se tem direito.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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