Assim são feitos os vinhos da Garzón

Balasto Garzón / Foto: Divulgação

A brisa constante que sopra do Oceano Atlântico e o solo de granito meteorizado (com maior capacidade de drenagem e permeabilidade) contribuem para que os vinhos da Bodega Garzón possuam as características que lhes rendem tantos elogios. No entanto, a qualidade alcançada é resultado, sobretudo, da combinação entre investimento, conhecimento e muito trabalho.

Bodega Garzón, um universo a ser explorado

Responsável pela gestão do solo, o agrônomo Eduardo Félix há oito anos deixou a Bodega Bouza para integrar o time da Garzón. Mora praticamente dentro do vinhedo e fala de cada casta como se falasse de um filho. “A pinot grigio é muito mimada”, comenta. Está sempre atento às mudanças do tempo para garantir que a uva seja colhida precisamente no momento devido.

O agrônomo Eduardo Félix faz a gestão do solo da Garzón: dedicação total

Na madrugada de 2 de março passado, por exemplo, Félix, o enólogo Germán Bruzzone e o CEO da Garzón, o chileno Christian Wylie, se juntaram a um grupo de empregados para uma colheita de pinot grigio. As uvas têm que ser colhidas à noite porque o frio as mantêm inalteradas, o agrônomo explica. O esforço tinha em vista um vinho de sobremesa que eles planejam criar.

Germán Bruzzone é um uruguaio familiarizado com vinho desde menino. “Minha família possui uma pequena bodega, então cresci com o vinho, minha vida é o vinho”, conta. É Bruzzone quem cria os vinhos que o italiano Alberto Antonini, na qualidade de consultor, confere em visitas periódicas e dá a palavra final.

O trabalho na vinícola se intensifica entre os meses de março — quando começa a colheita, com o processamento diário de 30 a 40 mil kg de uvas — e novembro, quando os novos vinhos devem estar prontos. Na Garzón, as vinhas fogem do usual. Eles trabalham com um mosaico de 1 mil pequenos vinhedos, de 0,2 hectare cada um.

Na Garzón, as vinhas são trabalhadas em sistema de mosaico de pequenos vinhedos

O objetivo é explorar características de terroir de cada recorte para as diferentes variedades. Entre elas, algumas pouco comuns no Uruguai, como a Alvariño, uma casta branca originária da Galícia e do norte de Portugal, e a Marselan, uva tinta criada a partir da junção da Cabernet Sauvignon e da Grenache Noir.

Outra particularidade da Bodega Garzón é a fermentação em tanques de concreto. “Amo concreto porque a microbiologia prefere o concreto ao aço inoxidável, as leveduras naturais preferem concreto”, já declarou Antonini. O uso desses tanques permite colocar o sistema de refrigeração entre as paredes de concreto, obtendo-se um resfriamento mais sutil, equilibrado e suave.

Dessa forma, a Bodega Garzón já colocou no mercado 19 rótulos, divididos em três linhas, Estate, Reserva e Single Vineyard. Conheça cinco dos mais destacados vinhos produzidos pela vinícola uruguaia — no Brasil, eles são distribuídos pela World Wine e os preços apresentados aqui são os do site da importadora:

Balasto
Ícone da Garzón, é um blend de Tannat, Cabernet Franc, Petit Verdot e Marselan. Trata-se de um tinto complexo, encorpado, com taninos fortes e ótima acidez. 96 pontos no Guia Descorchados 2018/2019. Preço: R$ 1.100 (750ml), R$ 2.200 (R$ 1,5 litro).

Tannat Single Vineyard
Um tinto potente, de cor púrpura intensa, suculento e fresco à boca. Medalha de ouro no Sakura Japan Women’s Wine Awards 2018 e 95 pontos no Decanter World Wine Awards Inglaterra (onde levou também o título de melhor tinto monovarietal). R$ 199.

Albariño Reserva

Branco intenso, de aromas frutados, equilibrando com notas cítricas. Em boca é fresco e mineral, com acidez marcada e um final longo e redondo. 92 pontos no Guía Descorchados, além de considerado melhor Alvarinho e melhor vinho branco. R$ 110.

Petit Verdot Single Vineyard
De cor vermelha violácea intensa e complexidade aromática. À boca tem grande volume e é perfeitamente harmônico, característico de sua variedade. 92 pontos nas escolhas da revista Adega 2018-2019. R$ 199.

Pinot Noir Rose Estate
Caracteriza-se no aroma pela frescura e delicadeza, com destaque para as notas de cerejas e morangos. À boca, sua presença é marcada pela acidez e um final mineral. Na votação de melhores de 2018 do Valor Econômico, foi o único não europeu entre os melhores rosés na relação preço/qualidade. R$ 80.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

Um Comentário

  1. […] Saiba mais sobre a produção e os vinhos da Garzón […]

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