Abará, o quitute que amolece o coração

Abará_Porcão da Bahia

“Olha o abará!” Em Salvador, você vai ouvir esse grito em tudo quanto é lugar. Na praia, dentro do ônibus, numa rua movimentada do centro, e pode comprá-lo e comê-lo como um lanche rápido ali mesmo. Os vendedores carregam o produto em caixas de isopor e cada um promete que o seu é “o melhor abará da Bahia”.

Mas o curioso é que, apesar do abará ser tão popular entre os soteropolitanos, não conseguiu alcançar a fama nacional de seu irmão, o acarajé. Irmão de fato, porque os dois são feitos da mesma massa, obtida a partir do feijão-fradinho triturado.

Só que, enquanto o acarajé é frito, o abará é cozido no vapor, em folha de bananeira (às vezes ele vem num formato que lembra uma pamonha na palha de milho), o que lhe dá textura e sabor mais suaves. E talvez aí esteja a sua desvantagem. Porque, vamos combinar, a bendita da fritura faz uma grande diferença no sabor.

Mas, para compensar, o abará tem tempero incluído na própria massa, o que, em princípio, dispensa aquele recheio tipo sanduíche do acarajé. O original é leva basicamente cebola, camarão seco e azeite de dendê, mas ultimamente os baianos têm usado a criatividade e você pode encontrar abará com  bacalhau, frango, carne seca, lagosta, polvo e até vegetariano.

Outra modernização é a venda de abará congelado, em caixinhas, para você preparar em casa. No entanto, apesar dessas invenções, o abará mantém origens tão africanas quanto o acarajé. O nome da comida vem de aba’ra, um termo iorubá, e ela faz parte do ritual do candomblé, onde é oferecida a Iansã e aos orixás Obá e Ibeji.

Aliás, a mística em torno do abará é bonita, olha só: dizem que ele representa o àkàrà (brasa), esfriado pelo amor, sentimento que amolece o coração humano. E isso tem a ver com o fato de ser dedicada a Obá, um orixá que traz em seu corpo a marca do amor incondicional.

A foto no alto é uma reprodução do site do Porção da Bahia, empresa baiana que produz, inclusive, uma linha específica de miniabarás para lanchonetes, colégios, faculdades, cafeterias, shoppings e lojas de conveniência.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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