A incrível história do milho, o rei de junho

Milho

Junho é mês de milho. Não tem festa junina sem ele. Está no curau, na canjica, no bolo, na pamonha, na pipoca… A popularidade das comidas de milho em junho, pelo menos no Nordeste, tem a ver com a época do plantio. Lá, os grãos vão para o solo normalmente de janeiro a março e a colheita feita entre abril e junho. Se tem chuva boa, mais farta serão as festas.

Mas, embora seja tão popular, esse cereal é cercado de curiosidades em sua história e nos modos de consumo. Por exemplo, ele do jeito como o conhecemos hoje é resultado de sucessivas mutações genéticas, provocadas pelo homem para adequá-lo ao consumo. O milho vem do teosinto, capim silvestre nativo da região hoje ocupada pelo México. No teosinto, os grãos são protegidos por invólucros duros .

O prato é canjica no Nordeste e em outros lugares, curau. Não importa, a base é milho

Da domesticação desse capim (chamado também de dente-de-burro e ainda usado como alimento de bois, cavalos e cabras), surgiu o milho, que hoje não sobrevive sem a presença humana. Enquanto outras plantas germinam espontaneamente e outras podem surgir das sementes de frutos caídos no chão, o milho só nasce se for plantado pela mão do homem.

Outro fato curioso sobre o milho é o fato de que, no Brasil, ainda que seja matéria-prima de vários pratos da culinária nacional – os citados no início e mais cuscuz, polenta, angu, mingau etc. –, somente cerca de 5% da produção é utilizada em consumo humano. A maior parte é destinada à alimentação de bois, porcos, aves… Sorte dos bichos!

Pipoca ou pop corn, tanto faz… Para fazer tem que ter milho

Mas se hoje em dia o milho só vira rei em junho, em tempos antigos imperava soberano o ano inteiro. Há registros de que 7.300 anos atrás o cereal já era cultivado. O milho atravessou séculos como alimentação básica de civilizações, sobretudo americanas, como os maias, astecas e incas – e até hoje está muito presente na culinária de vários países latinos.

Não por acaso, seu nome, de origem indígena caribenha, significa “sustento da vida”.

Fontes: Sindimilho (Sindicato da Indústria do Milho do Estado de São Paulo) e Uma História Comestível da Humanidade, livro de Tom Standage.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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