A curiosa história do rum, uma bebida do Caribe

Rum/ Foto Pixabay

O rum é primo da cachaça. Esses dois destilados são feitos a partir de matéria obtida durante a produção de açúcar — como a espuma resultante da fervura do caldo da cana-de-açúcar e o melaço, que surge na fase de cristalização.

Ron Montilla, desde 1957

Acredita-se também que tanto um quanto outro surgiram no comecinho do século 17. O rum, nos canaviais das colônias inglesas na América; a cachaça, nos canaviais das colônias portuguesas. Nessa época, a espuma e o melaço eram descartados, mas aí…

Aí alguém (ou alguéns) cujo nome a história não registra viu que, misturados à água, esses descartes fermentavam. Para se chegar às bebidas, portanto, foi só um passo. E desde então se bebe cachaça no Brasil e rum nos países da América Central.

O que afinal difere uma bebida da outra? Segundo o Mapa da Cachaça, a diferença principal´é que o rum é feito com o caldo cozido da cana (melaço), enquanto a cachaça desde sempre foi feita com o suco fresco (garapa) — embora, na Martinica, o rum também seja feito do suco.

Aliás, se você for passear pelo Caribe — Martinica, Cuba, Trinidad e Tobago, Jamaica, Barbados, Porto Rico… –, vai descobrir uma diversidade de tipos e marcas de rum. Hoje em dia, alguns deles são encontrados no Brasil, mas quando falamos em rum aqui o que ainda nos vem de imediato à mente?!

Havana Club, ícone cubano

Montila, claro (isso não é um merchan, vale ressaltar). E é fácil entender o motivo. A marca (que nasceu na Espanha mas pertence à francesa Pernod Ricard) surgiu e se fixou no Brasil em 1957. Hoje, cerca de dois terços do rum consumido no país é Ron Montilla. No Nordeste, então, esse percentual sobre para 90%.

Nem o Bacardi, com muito mais tradição, consegue desbancá-lo. Esse existe desde 1862. A marca foi criada em Santiago de Cuba por um imigrante catalão, Facundo Bacardi Massó, que desmontou sua destilaria e se mandou para Porto Rico quando Fidel Castro tomou o poder na ilha, em 1959. De lá, continuou a crescer.

Mas outra marca cubana, o Havana Club, mantida desde 1934 pelo cubano Jose Arechabala, em vez de fugir, foi transformada em ícone nacional e passou a ser produzida sob chancela do governo de Fidel. Até que em 1994, a mesma Pernod Ricard do Montila se associou ao ditador.

Num fifty/fifty, os franceses e o governo cubano criaram a Havana Club International para exportar o produto para o mundo todo — menos para os Eestados Unidos, que não queriam saber de negócio com comunista, nem tendo francês como intermediário.

Para todo o mundo, incluindo o Brasil. Daí que o Havana Club acabou ganhando alguma popularidade por aqui, principalmente entre os bebedores que torcem o nariz para o tão popular Montila.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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