10 restaurantes em Leiria e na região Centro de Portugal

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Lisboa vive uma cena efervescente, que deve demorar a sair de moda, eu sei. O Porto ainda guarda o clima de um Portugal de outros tempos e, junto com ele, dezenas de sabores por descobrir no subir e descer de ruas, um fato constatado já aqui por nós. Mas hoje eu venho falar de uma região pouco grata, que pouquíssimos turistas ainda arriscam descobrir: Leiria e o centro do país colonizador.

Entre mar e serra, a parte que separa o Tejo do Douro tem uma riqueza de paisagens, hábitos e preparos gastronômicos que ainda é capaz de surpreender mesmo quem já vive aqui há algum tempo, e falo por mim.

A seguir, deixo a imparcialidade jornalística de lado para listar uma dezena de espaços que, para mim, merecem uma parada mais demorada ao sair de Lisboa sentido Norte ou até na descida, em busca do calor algarvio. Bons sabores e boa viagem!

1. CASINHA VELHA (LEIRIA)
Em uma casa centenária, a cozinha portuguesa é posta à prova por meio de um passeio cuidadoso por produtores do país. O trabalho minucioso de curadoria é feito por Ricardo Costa, nome que, ao lado da esposa, Filipa, une tradição com um toque de atualidade, sem esquecer dos clássicos. Para comprovar isso, ainda na seção de entradas está o folhado de queijo Serra da Estrela, aberto e regado à mesa com uma equilibrada redução de vinho do Porto. Mas tem também o cabrito assado no forno e o imperdível bacalhau com natas. A adega, com mais de 1.500 rótulos, merece holofotes à parte.

Preço médio: 35-40 euros
Rua Professor Portélas, nº 23, Marrazes, Leiria
244 855 355

2. MURALHAS
É daqueles casos em que só a vista compensaria. Mas a cozinha feita por João Pereira consegue alcançar o espetáculo que é o cenário do restaurante, uma construção em pedra – daí o nome – à beira de um vale que alcança 13 concelhos portugueses. Aprendiz de José Avillez, o jovem chef tem proposto uma cozinha instigante a partir do que dita a tradição. Por isso, não estranhe encontrar um carpaccio de bacalhau defumado com puré trufado ao lado de um arroz de corvina no tacho. Na cabeça do chef e à mesa, tudo isso faz sentido.

Preço médio: 20-25 euros
Rua Cidade Colipo, Andreus, Leiria
244 032 138

3. ANTÓNIO PADEIRO (ALCOBAÇA)
Há poucos metros do imponente Mosteiro de Alcobaça – o primeiro em estilo completamente gótico do país –, o receituário do interior de Portugal é servido em um ambiente que lembra a casa de um parente querido. De cara, embutidos, queijos locais, compota do dia e alguma outra combinação saída do fogo chega para dar as boas vindas. Na sequência, o caminho pode ser ditado pela preferência: peixe, marisco ou carne. Quando fui, me rendi ao polvo empanado com açorda de tomate, e nunca me arrependi. Caso opte pela recomendação da casa, ainda hoje sob olhar atento da esposa do fundador, a dona Júlia Pereira, vá pelo perdiz na púcara.

Preço médio: 20-25 euros
Rua Dom Mauro Cocheril, nº 27, Alcobaça
262 582 295

4. CERVEJARIA IMPERIAL (MONTE REDONDO)
Aos desavisados, o nome pode enganar. A cerveja é, de longe, a estrela do lugar. São as tapas, conceito declaradamente importado do país vizinho, que dominam o cardápio, juntamente com as carnes e os mariscos. Esse último, porém, só costuma ser servido às quintas, dia em chega fresco da costa ali perto. Mas voltando para a primeira parte da carta, que é onde eu costumo ficar e demorar: a croqueta de presunto ibérico, as batatas bravas e as tirinhas de porco preto não costumam falhar.

Preço médio: 15-20 euros
Estrada Nacional 109, Monte Redondo, Leiria
918 516 352

5. TIA ALICE (FÁTIMA)
Religioso ou não, essa casa tem grandes chances de fazê-lo devoto. Isso porque, há 30 anos, Maria Alice Marto dá nome e alma ao restaurante, que fica nas proximidades do Santuário de Fátima, e é motivo de procissão turística para 10 em cada 10 visitantes. Para começar, os sequinhos e substanciosos bolinhos de bacalhau não estão no cardápio oficialmente, mas são fritados a todo momento na cozinha – uma resposta especial à clientela brasileira que recheia o salão. Para seguir, a decisão fica entre os pratos que nunca mudam e que carregam a identidade do lugar: lascas de bacalhau em creme branco, vitela em forno à lenha e chanfana. A despedida fica doce, doce, com o úmido e memorável bolo de nozes com calda de chocolate amargo.

Preço médio: 35-40 euros
Av. Irmã Lúcia de Jesus, nº 152, Fátima
249 531 737

6. VISTA BISTRÔ & RESTAURANTE (LEIRIA)
Em um país que exala tradição, arriscar no conceito é para poucos e ainda bem que os sócios e cozinheiros José Oliveira e João Caseiro entraram para essa cota. À beira do rio Lis, no centro de Leiria, a dupla faz um giro pelas principais referências mundiais sem se distanciar dos insumos de proximidade. A ideia, já assumiram, é flertar com a comfort food ao mesmo tempo em que namoram a técnica. O resultado é uma relação gostosa e sem pretensões.

Preço médio: 15-20 euros
Rua Tenente Valadim, nº 5, Leiria
936 954 145

7. SELVA DO LENA (LEIRIA)
Ganhou fama inicialmente por ser a primeira sede portuguesa da marca “Hard Rock Cafe”. Ainda bem que os ventos mudaram e a identidade nacional voltou ao eixo dessa casa que é uma ode ao tempero regional. Para começar, serve o tal “bife” português, apresentado com um molho à base do próprio suco da carne e um bom toque de manteiga. Quer mais? Os filetes de linguado vêm acompanhados do que, no Alentejo pode se chamar de migas mas, por aqui, é a excelente açorda (espécie de sopa feita com pão). Neste caso, de camarão.

Preço médio: 15-20 euros
Rua da Floresta, nº 1071, Barreira, Leiria
244 827 708

8. TAVERNA XICO A XICA (MARINHA GRANDE)
Ali a louça é de barro para lembrar explicitamente a referência que a casa acolheu desde o nome: as antigas tavernas. A cozinha, ao contrário, busca constantemente novidades. As “bolas do xico” são um aperitivo disso: bocados de morcela com chia, alheira com sementes de girassol e farinheira com amêndoas. A dificuldade é escolher o que virá depois para acompanhar as viciantes cascas de batata frita, escoltadas por aioli. Dica: a coentrada de picanha e as tiras de lombinho de porco são fortes concorrentes.

Preço médio: 15-20 euros
Rua das Rosas da Pedra de Cima, nº 10, Marinha Grande
914 748 470

9. AKI DEL MAR (NAZARÉ)
Amêijoa, sapateira, percebes, berbigão. Não conhece esses seres do mar? Então, entre neste restaurante informal e se deixe levar pelos exemplares frescos de mariscos da costa portuguesa que enchem a vitrine. Há um cardápio voltado para a cozinha “quente” e mais incrementada, mas o que eu aconselho mesmo é ir passeando pelas doses de frutos do mar que fazem a gente lamber os dedos, literalmente. E visto que fica num dos destinos do país mais falados da atualidade – as ondas gigantes da Nazaré não param de vir –, é recomendadíssimo fazer reserva.

Preço médio: 25-30 euros
Av. Manuel Remígio, nº 129, Nazaré
262 551 028

10. TABERNA DO MANELVINA (SALIR DE MATOS)
Em tempos de tecnologias mil para amaciar carne, o trabalho do senhor Alberto “Manelvina” dá gosto de ver. É ele quem cuida de grelhar pessoalmente, e à vista dos clientes, toda a proteína que dá fama ao lugar, impossível de achar sem GPS. Passada a aventura da chegada, a equipe do salão faz rapidamente a cerimônia de boas vindas, trazendo à mesa embutidos de sotaque regional e algumas fatias de entremeada de porco, capazes de desmanchar na boca. Para acompanhar, batatas fritas caseiras e uma suculenta salada de tomate. Ainda com fome? A decoração temática dá dica de um dos segredos da cozinha: carne de touro.

Preço médio: 15-20 euros
Rua Principal, nº 21, Salir de Matos, Caldas da Rainha
917 221 062

JESSICA GERMANO é jornalista, especialista em conteúdo digital e apaixonada por comida. Escreveu por seis anos sobre o cotidiano e os sabores de Brasília e há dois embarcou para Portugal em busca de novas histórias e bocados. Atualmente assina a editoria “Região à mesa”, do jornal Região de Leiria, e conta tudo o que vê, prova e gosta no perfil @falando.brasileiro, no Instagram.

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

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